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It: A Coisa - CRÍTICA

Nada como flutuar pelo amadurecimento

Coulrofobia, este é o termo usado para definir o medo de palhaços! E é sobre os medos que a nova adaptação da obra de Stephen King transita até o amadurecimento e crescimento de seus personagens, assim It, é muito mais do que se assustar com Pennywise, é flutuar por um desconhecido dentro de si mesmo.

Diversos desaparecimentos começam a acontecer na cidade pequena de Derry e quando o irmão mais novo de Bill se torna mais um entre os que sumiram, algo de assustador surge envolvendo a aparição de um estranho palhaço chamado Pennywise. Cabe então a um grupo de crianças deter essa entidade maligna antes que mais vítimas sejam feitas. Adaptado da obra de Stephen King.

Desde o começo da produção é perceptível uma atmosfera de mistério e segredo que envolve toda a ambientação em que os personagens estão inseridos. O diretor Andrés Muschietti opta por planos abertos e planos holandeses, onde a câmera se posiciona de forma diagonal para captação das imagens, causando assim uma sensação de incômodo no espectador, que por sinal, é a mesma de quem está em tela. A fotografia usando de tons quentes e uma luminosidade para que a estação do verão demonstre o seu poder, fazem bem o trabalho de contrabalancear para momentos mais escuros e azulados quando a figura do palhaço precisa ser assustadora. 
E tal presença assustadora se dá ao trabalho de maquiagem e CGI que contribui para que Pennywise de manifeste de diferentes formas, em locais diferentes.

A narrativa constrói muito bem cada um membros do "Losers Club", a personalidade de cada um fica evidente, temos o nerd recém chegado a cidade, o garoto desbocado, o hipocondríaco, o líder nato, a jovem repleta de dúvidas e traumas, cada um, dentro de suas características impulsionam a história para que a figura antagonista surja personificada nos medos individuais.

E aí se encontra uma das falhas da produção, por mais que seja entendível a forma como Pennywise irá encontrar cada um, era de suma importância que o mesmo ficasse mais tempo como o palhaço que é. Da mesma forma, cria-se um rápido arco para um algoz do grupo de amigos, que somente serve para que um objeto seja comprometido no clímax, prejudicando assim o ritmo da película, que poderia ter demandado o tempo para outro acontecimento do roteiro. Outro ponto é a trilha sonora, que tenta causar uma memória afetiva em quem assiste, entretanto insere sucessos da década de oitenta nas horas que não deveria sequer tocar música.

O elenco se destaca tanto nas cenas como grupo quanto individualmente.
Jaeden Lieberher acerta nos momentos em que deve comandar os amigos, sem deixar de lado os temores do seu personagem. Sophia Lillis nos entrega uma Beverly que sofrida e traumatizada na medida certa. Finn Wolfhard convence, arranca risadas e diverte como o desbocado Richie, fugindo do que conhecemos em Stranger Things. Mas é Bill Skarsgård que brilhantemente entrega um Pennywise causador de sensações desconfortáveis. Tanto os sorrisos largos, o olhar estrábico quanto a movimentação corporal, compõe a entidade maligna assustadora, sem exageros ou cópia do que foi feito anteriormente com o mesmo personagem.

It: A Coisa não é um terror extremo que irá causar inúmeros arrepios e sustos, funciona como uma jornada em busca de amadurecimento e descoberta em meio ao enfrentamento do que se desconhece, que se personifica nos medos mais profundos.
Quando então a película abraça essa ideia, cria-se uma atmosfera de tensão não somente pela presença do palhaço, que amedronta divertidamente, mas porque crescer é assustador de todas as formas. Dirigido de forma competente e com um elenco carregado de personalidade em seus personagens, o primeiro capítulo da adaptação cumpre o que pouco se conseguiu fazer: Uma obra digna de Stephen King nos cinemas.
Agora nos cabe esperar o crescimento, tanto do Clube dos Perdedores, quanto das atrocidades de Pennywise. Ainda há muito que flutuar!

Nota: 3,5/5 (Muito bom)
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