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Atômica - CRÍTICA

Ela não é John Wick de saias!

A espionagem é um prato cheio para boas histórias em Hollywood, carregadas também da boa e velha teoria da conspiração, mas desta vez inclua uma grande dose de álcool, muita violência, palavrões, sexo e logicamente toda a onipresença de Charlize Theron, assim temos quase que automaticamente um clássico pronto do cinema de ação. Quase!

Baseada na HQ The Coldest City, Atômica conta a história da agente do MI6 Lorraine, envolvida numa trama na Berlim Oriental, antes da queda do muro, em busca de uma lista que contem informações do agentes duplos britânicos, colocando em risco as ações de americanos, ingleses e alemães na Guerra fria.

David Leitch traz toda visceralidade de seus trabalhos anteriores! 
Utiliza a fotografia em seu favor, nos brindando com tons azulados e um neon que nos ajuda a imergir no cenário da época que estamos acompanhando. Nas sequências de ação, tudo flui de forma agressiva e bem executada. A câmera acompanha as movimentações fazendo com que a violência demonstrada em tela seja real e não gratuita para história que acompanhamos. 

Há todo um segmento que ocorre dentro de um apartamento, que parte da explanação da protagonista, e acaba em um salto para o lado de fora, onde as lutas tanto no ambiente interno quanto externo se tornam um espetáculo visual ritmado, beirando o musical. 
De igual modo, um dos melhores planos sequência do cinema de ação que começa na luta em uma escada, culminando em um sangrento embate que deixaria Jason Bourne no chinelo por tamanha brutalidade.

Entretanto conforme a película se estende, a narrativa começa a ficar entroncada, elementos que deveriam servir para facilitar o entendimento do público, se tornam enfadonhos, quebrando diversas vezes o andamento de sequências que não precisavam de pausa, fazendo com que o espectador fique ansioso pela próxima cena de ação afim de colocar tudo nos trilhos iniciais.


Mas tudo isso, quase passa despercebido graças a presença de Charlize Theron, 
A imponência da atriz envolta em uma personagem repleta de camadas e bem desenvolvida, registra ainda mais a mesma como a melhor intérprete de heroínas de ação dos últimos anos no cinema. Tanto sua movimentação nas cenas ação quanto nos momentos de diálogo entregam a força da protagonista, sem cair no caricato de mulheres em filmes de espionagem que conhecemos.

Atômica certamente é uma das melhores produções de 2017, agressivo, violento, de causar impacto por seu visual imersivo. 
Executado com maestria, principalmente nas sequências de ação e combate, a película ganha destaque por fugir das fórmulas que conhecemos ao se contar uma história de espionagem. Entretanto, sua narrativa perde força tornando o segundo e terceiro atos quase episódicos, e se não fosse Charlize Theron, com sua Lorraine, de nada iria adiantar um neon ligado e boa música dos anos 80. Se há algo que conseguimos comprovar é que a protagonista não merece ser comparada a nenhum outro personagem do cinema de ação, tamanha sua força, tamanha sua atomicidade em tela. 
Charlize e mais um de seus mulherões da porra!

Nota: 4/5(Ótimo)
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