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Valerian e a Cidade dos Mil Planetas - CRÍTICA

Pelo menos toca David Bowie no início


Luc Besson é um diretor de grandes histórias peculiares. Ele sabe como transpor o que acontece em sua mente criativa para as telas sem a preocupação de estar fazendo ou não a alegria da maioria dos espectadores. Essa atitude porém acaba por comprometer o seu trabalho, e no caso de Valerian, o seu amor pela obra original compromete o produto final. O exaustivo produto final.

O Major Valerian e a Sargento Laureline embarcam em uma missão para resgatar um artefato que pertencia a uma raça alienígena extinta. Entretanto, uma conspiração de dentro do órgão para o qual trabalham, pode modificar não apenas o destino de ambos, mas também Alpha, a cidade dos mil planetas.

Inspirada na série de quadrinhos francesa Valérian: Spatio-Temporal Agent de Pierre Christin e Jean-Claude Mézière, o novo filme de Luc Besson é uma aula de como se criar mundos, criaturas, de como se utiliza bem efeitos visuais, cores, fotografia. A película é um espetáculo imagético desde a sua sequência inicial, executada com maestria em um prólogo assertivo para nos apresentar a criação de Alpha. O diretor não poupa esforços para nos mostrar a grandiosidade do que tem em mãos, abusa de planos longos e aproveita para destacar o CGI, sejam em criaturas como no ambiente. A sequência que acontece no mercado apresenta um conceito incrível do encontro da realidade com o que é virtual. Eis toda a grandiosidade que uma Space Opera merece na sétima arte, graças ao material original!

Entretanto, Valerian não se sustenta apenas pelo seu belíssimo visual.
O roteiro é repleto de momentos repetitivos, falas sem profundidade e cenas que são alongadas ou que nem precisavam estar na película. Faltou em Besson ser conciso nos acontecimentos. E isso faz com que a relação de Valerian e Laureline fique superficial ao extremo. Não há empatia pelo casal em nenhum momento e a demora para o desenrolar da trama contribui para o distanciamento do público com a narrativa.
Um exemplo claro do excesso de informações é toda sequência que envolve o protagonista e a alienígena Bubble, interpretada pela cantora Rihanna. Se tanto personagem quanto momento não existissem, seria um acréscimo ao ritmo do filme!

Da mesma forma o elenco principal não demonstra estar confortável com tudo. Dane DeHaan é inexpressivo, sem carisma e não possui o charme o suficiente para bancar um "Han Solo" daquele universo, ou seja, não se estabelece uma relação de afeição por parte do público para com o personagem. Além de sua dicção ser péssima (ainda bem que existem legendas)!
Já Cara Delevingne entendeu que não é uma atriz e que precisa ser dirigida para que bons momentos aconteçam. E acontecem. Diversas vezes é a sua Laureline que sustenta os diálogos e cenas de ação.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é impecável tecnicamente, é megalomania visual e digital imersa em uma ópera espacial que possui um excelente material a ser explorado. Contudo, tenta-se fazer o mesmo no quesito história e o resultado é cansativo, repetitivo, apático, sem emoção. Luc Besson continua sendo um dos meus diretores favoritos, mas ele poderia ter lido a frase que escreveu para sua personagem durante a produção para evitar tais erros, porque não é atoa que Laureline solta: "Eu tenho um mal pressentimento sobre isso...".

Nota: 2,5 (Quase lá)
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