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Os Defensores - CRÍTICA

Perdi as contas do quanto ouvi: Eu sou o Punho de Ferro imortal!

Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro já foram devidamente apresentados. Suas histórias, dilemas, conflitos internos e externos expostos em suas temporadas. Assim, como já era esperado, o crossover entre os heróis urbanos da Marvel na Netflix aconteceu! Mas os espectadores precisam aprender a seguinte lição: Não é porque temos a Casa das Ideias e o maior serviço de streaming juntas que é sinônimo de espetáculo!

Punho de Ferro está a procura do Tentáculo para dar fim a organização. Entretanto o seu último embate o leva de volta a Nova Iorque, onde Jessica Jones acaba de aceitar uma nova investigação, Luke Cage, recém liberto, busca entender o envolvimento de jovens em um estranho trabalho e Matthew está tentando não mais se envolver com a vida de vigilante. Porém, o caminho dos quatro se une de maneira inesperada os levando ao embate de um inimigo em comum!

Os Defensores não é "Os Vingadores da Netflix"! E isso fica claro nas primeiras cenas onde o tom adulto, realista se sobressai! A direção nos deixa claro que cada núcleo ainda continua com suas características bem detalhadas e conservadas. A musicalidade em Luke Cage, o misticismo com Punho de Ferro, a decadência de Jessica Jones e os conflitos do Demolidor. Tudo é explorado para ressaltar as diferenças e o quanto elas serão importantes quando o grupo estiver unido.
Assim, a fotografia se procura em ambientar o espectador nas peculiaridades de cada personagem, tanto que as cores específicas de cada um deles, amarelo, azul, vermelho e verde, constantemente surgem para nos remeter em qual pequeno arco estamos inseridos.

Contudo, os heróis urbanos da Marvel estão longe de uma classificação como "obra definitiva dos quadrinhos em uma série"! A começar pelos elementos narrativos. 
Existe uma preocupação desnecessária em explicar diversas vezes quem é o Punho de Ferro ou sobre a capacidade do Tentáculo de fazer o mal, sempre resumida com a mesma frase, repetida inúmeras vezes pelo mesmo personagem. Beira o incômodo e a subestimação da inteligência de quem assiste!
Além disso, elementos cênicos somem, como um elevador que está despencando, de igual modo, uma câmera é molhada durante uma sequência de lutas e não há preocupação em corrigir o erro na pós produção! Um artifício realista? Talvez, mas soou mais como amadorismo, além de atrapalhar a visão do que está acontecendo. Há também, já esperada, divisão da equipe em duplas, e fica claro o quanto uma delas, por mais exista nos quadrinhos, não funciona nesta mídia!

E tais sequências de lutas? Ora funcionam e são executadas com assertividade, a câmera acompanha os movimentos rápidos do Demolidor, demonstra a força de Cage e Jessica, além elevar as habilidade do Punho de Ferro, que precisavam de uma melhora! A tão famosa luta no corredor acontece de forma propícia e uma batalha em um prédio, culminando no subsolo, são os pontos de destaque. 
Por outro lado, há momentos em que se escolhe cortes abruptos e acelerados, onde não existe a possibilidade de entender o que está acontecendo ou quem está naquele embate! E isso faz com que a série, neste quesito, repita os mesmos erros da produção solo de Danny Rand.

O elenco, na maior parte do tempo em tela, consegue o convencimento como equipe disfuncional. Charlie Cox, seguro em seu Matthew, sabe como agir, falar, sem precisar comprovar algo, ele é o Demolidor que todos gostamos. Finn Jones, demonstra um crescimento tanto na ação quanto no entendimento de quem seu personagem é, ainda que seus diálogos sejam enfadonhos. Mike Colter é o tanque do grupo, apenas isso! Já Krysten Ritter é quem se destaca do quarteto. A sua Jessica Jones dá o tom cômico e em alguns momentos, é a lembrança da fragilidade humana em meio a tantos acontecimentos impossíveis! 
Mas é Sigourney Weaver quem supera qualquer atuação. Alexandra é misteriosa, sádica, ao mesmo tempo encantadora, uma ameaça que extrapola o que o Tentáculo aparenta ser. A cada discurso, suas motivações superam argumentos. Eis uma vilã que deveria ter ganhado um tempo maior em tela.

Os Defensores coloca novamente a parceria da Netflix com a Marvel no caminho correto! Expulsando o fantasma do fracasso Punho de Ferro, ainda que repita erros já conhecidos do público, a união de Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Danny Rand é satisfatória, acrescenta ao universo criado e explora as características de cada heróis em conjunto. Porém, tratando-se de um crossover da Casa das Ideias, é esperado um evento grandioso, onde erros de câmera não podem ocorrer, muito menos diálogos repetitivos. O grande problema da produção não está em sua parte técnica, e sim que ao concluir os oito episódios, tudo se torna esquecível. E assim, cada um segue seu rumo, seu caminho, aguardando suas renovações individuais e um próximo vilão em comum. 
E não é que encontramos um acerto na semelhança com os quadrinhos neste ponto!?

Nota: 3/5 (Bom)
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