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Leitura da Vez: Piano Vermelho

Sanidade colocada à prova através do som

Histórias enigmáticas permeiam a literatura por anos. Diversos autores gostam e namoram gêneros que conseguem incluir elementos para gerar em seus leitores não apenas o desejo de desvendar os mistérios iniciais, mas que possam fazer com que a experiência de leitura se torne imersiva e até mesmo, desconfortável. Josh Malerman é um desses autores e desta vez ele usa do som para mexer com a sanidade humana.

Piano Vermelho conta a história de Philip Tonka, líder uma banda fracassada chamada Os Danes. O grupo não consegue há anos emplacar um novo sucesso até o dia em que são recrutados pelo exército americano para investigar a origem de um som misterioso no deserto do Namibe, capaz de desativar armas e causar em quem escuta reações terríveis ao seu físico humano. Entretanto algo da errado, e seis meses após essa incursão à África, Philip acorda em um hospital com todos os ossos quebrados, pois ele encontrou algo naquele local, ou melhor, algo o encontrou.

Josh Malerman intercala a narrativa entre passado e presente. Assim, acompanhamos Os Danes indo para a missão no deserto, tanto como a recuperação do líder da banda em um hospital militar.
O autor deixa claro todo o ambiente de mistério que o leitor será lançado logo de cara, fazendo assim com que curiosidade seja o principal combustível para que o mesmo avance pela leitura: "o que aconteceu no deserto? Onde estão os membros da banda? O que eles encontraram? Porque o som enigmático gera consequências a quem ouve?" serão perguntas que irão permear a mente de quem folheia as páginas de Piano Vermelho.

Entretanto, como já é de costume do autor, nem todas as perguntas serão respondidas. Mas este não é o problema deste novo suspense de Malerman, que acaba por prolongar alguns acontecimentos, deixando muitas vezes a narrativa lenta, com momentos desnecessários e previsíveis. Ou até mesmo, repetindo informações em capítulos que poderiam se concentrar nas personagens.

Logicamente, estes pontos não removem ou diminuem a criatividade e a habilidade de se criar um bom mistério. A forma como os questionamentos do que está sendo escutado pelos personagens surge e o reflexo do mesmo em suas atitudes, faz com que a sanidade humana seja interpelada a cada virada de página, ocasionando então o desejo de dar continuidade ao que se está lendo. E até mesmo, o anseio em ouvir também o que Philip, Ellen e os Danes escutaram.

Piano Vermelho coloca à prova a capacidade do ser humano de interpretar o que está a sua volta e de manter-se intacto, física e psicologicamente, quando não se consegue entender o que está diante de seus olhos. Neste caso, ouvidos.
De uma forma cativante, porém com alguns momentos repetitivos, Josh Malerman, consegue estabelecer e manter sua relação com os elementos de um bom enigma literário. E que novos mistérios surjam em sua mente, ainda que na nossa, fiquem questionamentos e insanidade.

Piano Vermelho
Ficha técnica
Autor: Josh Malerman
Título original: Black Mad Wheel
Tradução: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Páginas: 318
Ano: 2017
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