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Death Note - CRÍTICA

Abra seu dicionário na letra A e procure "adaptação"!

Não é de hoje que as tentativas de se criar produções ocidentais com material oriental acontece. E até o momento não há sucesso nessa empreitada pois com Speedy Racer, Dragon Ball Evolution e  A Vigilante do Amanhã é perceptível a falta de proximidade com as obras originais. Death Note é a nova produção da Netflix na tentativa de alcançar um novo público para uma história que em anime e mangá já possui uma total relevância. Mas e o filme?

Light Turner é um adolescente comum do ensino médio de Seattle, até o dia que ele é "encontrado" pelo caderno Death Note, o qual, quem tiver seu nome escrito nele morrerá! Logo ele conhece Ryuk, uma criatura que é a dona do caderno e ambos começam uma relação baseada na escolha de quem deve morrer ou não. Entretanto, uma investigação policial poderá dar fim aos planos de Light em fazer justiça.

O diretor Adam Wingard ignora todo e qualquer traço da cultura do material original logo na primeira cena, onde somos inseridos no contexto de líderes de torcida, valentões, pessoas populares e bullying do high school americano. A câmera faz questão de sempre se posicionar de maneira não convencional nas cenas, para que tenhamos planos amplos, que não captem apenas o ator, mas tudo o que está a sua volta. Um bom artifício nos momentos de diálogo entre Light e Ryuk. Desta forma, as cenas de morte são apresentadas de força visceral e até mesmo gore ao público, sem a preocupação de amenizar tais acontecimentos, a direção faz questão de assinar com violência as sequências. 

Entretanto Death Note não se sustenta apenas por uma direção assertiva (o que não quer dizer boa), o roteiro repete inúmeras informações, até mesmo com flashbacks, se apressa em explicar outras e esquece de inserir fatos que seriam de total relevância para o desenvolvimento da trama. Pois se você está fazendo uma apresentação nova, contando esta história a um novo público, é necessário que o mesmo seja habituado aquele universo de maneira completa. 
Por mais que volta e meia a narrativa nos apresente uma nova regra da utilização do caderno mortal, não há real perigo das ações ou de suas consequências, tanto que entre troca de beijos dos personagens acontecem as mortes como se fossem apenas um recurso visual para que não se fuja do material original. Ou um plot-twist que surge sem construção alguma na narrativa!

O elenco enfim não parece saber ao certo o que deve ser feito em cena!
Nat Wolf é caricato, sem carisma e não demonstra a gravidade de suas ações da maneira correta, não é possível estabelecer nenhuma conexão com personagem. Da mesma forma que Mia, interpretada por Margaret Qualley, não sabe se é uma menina forte ou confusa. Keith Stanfield, por mais que esteja com o rosto coberto boa parte da trama, entrega um L com camadas interessantes ao público, mas pouco explorado. E William Defoe, sendo a voz de Ryuk, é um dos pontos altos, pois é perceptível o sarcasmo, a maldade e a manipulação através de sua voz, entretanto, por mais que os efeitos digitais ajudem na criação do personagem, a escolha de mantê-lo sempre a sombra é um erro que beira o amadorismo!

Death Note é uma adaptação que utiliza os principais elementos do seu material original e a partir disso trilha um caminho próprio em sua proposta. Apesar da boa execução, peca em diálogos pobres, atuações esquecíveis e uma narrativa que transforma, o que poderia ser um inteligente trhiller policial, num drama adolescente recheado de assassinatos. Olhando de forma rápida, retirando o caderno e Ryuk, soou mais como um novo capítulo da franquia Premonição do que qualquer coisa. 
E Isso não é um elogio!

Nota: 2/5 (Regular)
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