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Okja - CRÍTICA

A Menina e o Porquinho encontram Miyazaki!



Desde a polêmica no Festival de Cannes de 2017, Okja ganhou a expectativa necessária dos fãs do serviço de streaming que o produziu, e ao mesmo tempo, o olhar de desprezo por parte daqueles que não consideram tais obras, algo digno do panteão cinematográfico. Entretanto o que temos aqui é uma história que não somente critica o consumo ou as grandes corporações alimentícias, mas novamente nos lembra valores como amizade, coragem e amor.

Mikha é uma jovem sul-coreana, que vive numa floresta do seu país com seu avô e seu superporco, Okja. Tal criatura foi entregue a eles pela corporação Mirando, pois ao redor do mundo, outros fazendeiros também receberam um filhote da mesma espécie para que o criassem e assim que se passasse dez anos, participassem de um concurso que elegesse o melhor superporco. O que não é do conhecimento da jovem é que Okja e as demais criaturas são parte de um projeto para revolucionar a pecuária e a distribuição de alimentos. Assim, quando o superporco é levado para Nova York, Mikha parte em uma jornada de resgate além do que esperava.

Bong Joon-Ho já havia demonstrado sua capacidade de contar boas histórias com O Hospedeiro e O Expresso do Amanhã, mas desta vez o que temos aqui é uma fabula que não se preocupa com os momentos caricatos ou que parecem ter saído de desenhos animados. O diretor explora ambiente, cores, luminosidade, abusa de closes, de um jeito competente e assertivo, que toda a sequência que se passa na floresta, por exemplo, com Okja e Mikha, é quase uma animação do Studio Ghibli. E assim, faz da amizade o sentimento mais vivo e presente no decorrer de cada cena.
Da mesma forma, quando é necessário partir para ação, comédia ou violência, o diretor não mede esforços para entregar boas sequências, fazendo com que a nossa visão daquele mundo se torna ampla. Além do CGI utilizado nos dar o realismo necessário para Okja em tela!

A narrativa não somente se prende em mostrar o quanto as grandes empresas podem brincar e enganar através de um marketing bem elaborado, ou que certos grupos ativistas podem passar por cima daquilo que tanto defendem em prol de uma "missão". O que temos aqui é um espetáculo emocional, onde o que realmente tem importância são os elos criados. E isso, se deve também, a direção de elenco.


Elenco o qual nos apresenta ótimas atuações!
Tilda Swinton é o talento expresso em todos os momentos, sua empresária, Lucy Mirando, é histérica, excêntrica e exagerada assim como os projetos de sua empresa, fazendo ganhar nossa empatia e antipatia. Já Jake Hyllenhaal, com pouco tempo em tela, demonstra sua total versatilidade, ousando da atuação caricata, o ator rouba a cena em todos os seus momentos, com trejeitos e um tom de voz que condizem ao personagem. E temos ainda An Seo Hyun, sua dinâmica com a critatura digital, vai além de simplesmente olhar para o que não estava lá nas gravações. A atriz nos convence do carinho, cuidado e amizade que sente por Okja desde o início da película.

Okja certamente é uma das melhores produções da Netflix, e ouso dizer que deste ano de 2017. Com um discurso sociopolítico interessante e uma direção exímia, a história do superporco nos leva a diversas reflexões sobre o que está a nossa volta, o que consumimos e a forma como nos vendem determinados produtos. Porém, a amizade é o que estabelece cada momento. Fazendo alusão a animações clássicas onde grandes jornadas são contadas, Mikha e Okja merecem um local não somente no hall das grandes produções cinematográficas, mas também, das grandes histórias de um humano com sua fantástica criatura!

Nota: 5/5 (F*DA P#A C@RLH$)
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