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Sense8 - 2ª Temporada - CRÍTICA

And I say, hey, yeah, yeah-eah! Hey, yeah, yeah. I said, hey! What's goin' on?


Quem somos no mundo? Com quem estamos conectados? Qual nosso conceito de família? Qual nosso conceito de vida? Todas essas questões permeiam a filosofia, cultura, a humanidade em si. E nesta segunda temporada, Sense8 não apenas expande essas questões trazendo algumas respostas, mas nos mostra como quebrar barreiras, representar e crescer como narrativa.

A história começa logo após o episódio especial de Natal, com Will e Riley, em sua luta contra o Sussuros. Porém, desta vez, o cluster decide sair do papel de perseguidos e travar então uma caça aos seus algozes, que envolve cada um deles, a sua maneira.
Dan Glass, Lana Wachowski, Tom Tykwer e James McTeigue dividem a direção dessa temporada e dão agilidade a diversos momentos, que na temporada anterior, eram cansativos. Junto com a fotografia e o designer de produção, as ambientações são exploradas de maneira formidável, há um colorido constante, principalmente as que envolvem os núcleos de Capheus e Kala. Ao mesmo tempo, quando a ação se faz necessária, existe um senso de realismo presente, onde os golpes não mais desferidos com uma megalomania de Matrix, tornando as situações críveis, por mais que estejamos falando de pessoas com "poderes". 

Desta forma, a demonstração maior das habilidades dos Sense 8 são transpostas em tela com a mesma maestria da primeira temporada. Um exemplo é uma cena onde Wolfgang enfrenta diversos inimigos em um restaurante. A câmera faz questão de mostrar a presença dos oito protagonistas, e ao mesmo tempo, sua capacidade de se tornarem um só.
Assim, há um crescimento expressivo em diversos personagens e em seu universo particular. Por mais que estejam conectados com outras pessoas, a história se preocupa em mostrar o que cerca cada um deles e as consequências de ações anteriores. Certamente, Capheus, Kala, Wolfgang, Sun, são os que mais apresentam novas camadas a suas personagens, crescendo em conflito, dilema, decisões. O contrário de Lito, tão expressivo na primeira temporada e agora, reduzido ao mesmo conflito anterior de forma enfadonha. Logicamente, o discurso na Parada Gay de São Paulo é um dos momentos mais emblemáticos dos episódios, porém faltaram outros momentos, deste mesmo nível, para esse personagem.

De igual modo, a narrativa tende a cair ao didatismo em ocasiões e ao limiar das coincidências. Algumas coisas acontecem justamente no instante exato que eles precisam, ou pessoas surgem em locais óbvios. É uma facilitação muito grande para situações não tão simples! Sem falar que os estereótipos se tornam gritantes, e exagerados. O vilão sempre precisa aparecer nas sombras, com um tom de voz ameaçador, o policial tem que estar sempre deduzindo logicamente e na tentativa de fugir de personas caricatas, é o que nos é entregue diversas vezes.

A segunda temporada de Sense8 é madura, grandiosa, transforma a narrativa com uma premissa Sci-Fi, em realmente uma história do gênero. Apresentando explicações, contando novos fatos e nos fazendo desejar ainda mais quando o episódio onze acaba, as irmãs Wachowski, junto de J. Michael Straczynski, estabelecem seu universo de conexões com um crescimento factual! As vezes permeando o caricato e repetitivo, deixando o sexo de lado, o Cluster responde perguntas importantes, pois agora eles sabem quem são, o seu lugar no mundo, e o que realmente é uma família. Talvez aquelas perguntas que permeiam a humanidade sejam respondidas com apenas uma frase: se deixe conectar a outros!

Nota: 4/5 (Ótimo)
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