Ads Top

Corra - CRÍTICA

Porque visitar a família de quem você namora, às vezes, pode não ser boa coisa!
Histórias de terror não necessariamente precisam nos fazer saltar da poltrona. Existem narrativas que conseguem causar estranheza e pavor pelo simples fato de nos apresentar algo próximo a nossa realidade. Talvez a situação principal de Corra não seja corriqueira, mas o seu discurso faz com que assumamos o papel do seu protagonista em diversos momentos!

Chris viaja com sua namorada Rose para enfim conhecer a família da jovem. Sua grande preocupação é o fato de ser um negro namorado de uma moça branca, porém ao conhecer os pais da jovem algo nitidamente parece errado em todo aquele convívio, aparentemente harmonioso.

Jordan Peele nos entrega um thriller psicológico onde o que se espera de cenas quando a música de fundo aumenta não é o que realmente irá acontecer. Corra não é uma produção que se baseia no Jump Scare, pelo contrário, há uma construção para o clímax desde o início da trama, principalmente pelo fato do diretor escolher dar destaque aos diálogos e as movimentações dos personagens em cena. É perceptível o quanto fica estabelecido a problemática através​ de cenas executadas com um ritmo quase “Hitchcockiano”! 
A cena onde ocorre a primeira hipnose é um primor em movimentação de câmera, diálogo e atmosfera carregada de tensão.
Da mesma forma, há um cuidado em nos ambientar em situações totalmente desconfortáveis, principalmente nas interações de uma sequência numa festa.

O elenco também é um trunfo desta produção​. Daniel Kaluuya é o protagonista que conquista sua empatia de forma rápida e isso faz com que todas as situações por ele vivenciada aumente ainda mais o sentimento. E assim, Bradley Withford,Catherine Kenner, Betty Gabriel, elevam ainda mais os momentos com o protagonista. Isso também se faz presente na atuação de Lil Rel Howery, que traz o tom certo de comédia em momentos onde é necessário respirar.

Corra não é apenas um terror psicológico bem executado e até o momento, o melhor filme do gênero do ano. É um discurso sobre o racismo que diversas vezes acontece de forma velada, em situações, que para alguns não sejam tão segregadoras assim. Trabalhando a música, o elenco e a narrativa, a produção não apenas nos causa a sensação de tensão, mas também o pensamento de que a violência começa com pequenos pensamentos e frases. E se tornam reais sem precisar de hipnose!

Nota: 5/5 (F*Da Pr# C@ralh$)
Tecnologia do Blogger.