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Velozes e Furiosos 8 - CRÍTICA

É um absurdo, é galhofa, mas ainda assim, é uma família!


Todo crítico sente prazer em escrever aquele texto onde os pontos abordados são abarrotados de questionamentos filosóficos, referências literárias e termos técnicos. Porém, quando se sai do cinema após uma sessão de Velozes e Furiosos 8, filosofar e bancar o rei do monóculo, é tão absurdo quanto as manobras dos carros!

Dom e Letty vivem em Cuba, e tudo em suas vidas parece finalmente caminhar da maneira correta. Entretanto, quando Cipher, uma ciberterrorista surge chantageando Toretto, o líder dos corredores não vê outra escolha além de trair sua própria família.

É preciso não levar a sério tudo o ocorre na narrativa da franquia Velozes e Furiosos, que no início tentou trazer de forma engessada uma fórmula de ação com carros. Mas, oito filmes depois, é o absurdo que dita as regras de como a história e os momentos apareceram em tela. 

O diretor F. Gary Gray entende isso trazendo sequências onde a câmera capta o que acontece tanto fora, quanto dentro dos carros. Usando de uma câmera que percorre os circuitos, e as vezes abusando do recurso da imagem tremida, ele transmite a sensação da velocidade e do perigo. Logicamente, não deixando o estilo aloprado da série de fora.

Ao menos duas sequências são dignas de admiração, uma envolvendo cabos presos a um carro, e o momento final de perseguição. Sem contar numa monumental destruição de inúmeros carros ao mesmo tempo! Até mesmo as sequências de luta fazem o espectador sentir uma dose de adrenalina, tanto pela coreografia, quanto pelo tamanho de Dwayne Johnson, que o diretor faz questão de enfatizar a cada close.

O elenco continua o que sabe, cada um é uma caricatura do que seu personagem já fez em outro filme. Infelizmente, Vin Diesel parece tentar levar a sério o drama do seu personagem, em uma sub-trama que é interessante, entretanto, devido a canastrice e falta de expressividade do autor, perde o peso da problemática. A vilã, vivida por Charlize Theron, não é um amontoado de clichês, pois nos momentos onde precisa demonstrar uma certa crueldade, eis uma ótima atuação, mas nos momentos onde a líder maléfica está atrás de uma mesa dando ordens, lembra Rita Repulsa da série clássica dos Power Rangers. 

Logicamente há espaço para outras atuações, como a de Helen Mirren, que entende o quão cartunesco tudo aquilo é, Kurt Russel, sempre assertivo em suas participações, e Jason Statham, que tem uma das melhores sequências de combate. Porém, ainda existe um questionamento: Quem escalou o Scott Eastwood para esse filme? Porque se a tentativa era emular em sua atuação um novo Bryan, podem cancelar.

Assim como as formas errôneas de apresentar outros países, é entendível o porquê dos personagens estarem naqueles locais, mas a boa ação, peca na falta de pesquisa, pois Cuba, se resume a carros, crianças, saias e shorts curtos. Sem contar o plano que permeia a narrativa, que poderia ter sido executado sem ajuda alguma de Dom, ou a inserção de um "elemento" que é citado no começo da trama, além das reviravoltas previsíveis para participações que arranquem risos e um "É ele" da platéia.

Entretanto, ligamos a suspensão de descrença!

Velozes e Furiosos 8 é absurdo se levado ao âmbito do realismo, é criativo em suas sequências de ação, exagerado em sua trama central e desprentensioso como um todo. Em uma época onde há necessidade de adaptações fiéis, franquias estabelecidas de formas séria e lições de moral para o agrado de muitos, eis um momento de reclinar-se na poltrona, pegar a pipoca e rir. 
E eu sei que você, crítico filosófico-rei das referências deu uma bosa risada, nem adianta disfarçar ou ser rápido em se esconder. Desculpe o trocadilho ao final!

Nota: 3/5 (Bom)
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