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Logan - CRÍTICA

Decadência e redenção de mãos dadas em um final digno.

O cinema é a arte usada para que jornadas sejam contadas de diferentes formas. A principal delas é do herói e sua descoberta do mundo. Entretanto, em alguns momentos únicos, a sétima arte nos presenteia com uma jornada oposta, aquela da decadência regada de redenção.
Logan, não é a melhor ou maior adaptação dos quadrinhos, mas comprova essa jornada redentora decadente, fazendo com que os filmes dos mutantes de Bryan Singer se tornem uma peça teatral escolar de baixo orçamento.

Wolverine vive a sombra do que foi, bêbado, dirigindo uma limusine, não existe um herói ali, muito menos uma máquina de matar. Ele quer apenas fugir. Levando consigo um fraco e debilitado professor Xavier. Porém, quando a jovem Laura cruza o seu caminho, demonstrando muitas semelhanças com o Carcaju, sua trajetória toma outro rumo, que talvez possa ser o último!

James Mangold nos entrega o que sempre desejamos ver do Wolverine nas telas. Visceral, violento, desbocado e carregado de traumas do passado. Não encontramos aqui aquele herói "bonitão", ou o Logan líder de equipe. Não existem dias gloriosos ou gratidão por fatos do passado, isso fica claro a medida que aos poucos vemos uma sociedade que quer erradicar os poucos mutantes que restam. (Importante ressaltar o termo pejorativo Mutuna usado diversas vezes)
 
O diretor explora com maestria o estado falido, principalmente com uma câmera que capta perfeitamente a expressão de Hugh Jackman e demonstra a fragilidade corporal do mesmo, causada pelo tempo, em cenas de ação que não economizam na agressividade, ira, que o fazem sofrer ainda mais! 
Ao mesmo tempo, usando de tons quentes e uma fotografia que valoriza os espaços abertos, explora ambientes fechados, faz da película uma belíssima obra visual! O embate que acontece na fazenda é um espetáculo de luzes, cores e movimentação.

A narrativa estabelece bem o que Logan é, ora preocupado com o Professo X, ora querendo abandonar Laura em qualquer lugar. A primeira interação é um relacionamento de pai e filho problemático, onde o patriarca ainda tenta regar o que lhe resta de vida com conselhos e demonstra que o arrependimento não se encontra apenas nas garras do Wolverine. Já quando Laura e Logan estão juntos, funcionam perfeitamente em cenas de ação, e quando a menina demonstrar sua independência, porém uma pequena fala ao término do filme tenta criar um vínculo que nunca existiu, que sequer era desejo do personagem protagonista.

Todavia essa road trip em um mundo distópico nos revela que existe muito mais do que um simples filme de super-heróis, há um espírito pessimista que permeia cada cena, e que se torna palpável a cada novo acontecimento! E há quem diga que era disso que precisávamos desde o início, mas analisando, se não estávamos prontos para heróis usando couro batalhando na Estátua da Liberdade, quem dirá um homem arrancando membros com brutalidade.

Ao final, redenção e perda caminham juntas de mãos dadas, ou melhor, garras, tomando para si a liberdade de bancar o Western, onde Logan faz sua cavalgada definitiva em direção ao fim.
Um fim que traz a cada um de nós um alívio e novamente, um fôlego para um gênero que comprova então a possibilidade de ir além de fórmulas prontas.
Quase 17 anos depois, as garras de adamantium arrancaram não somente sangue, mas a nossa certeza de que o Wolverine enfim é o melhor naquilo que faz!
 
Nota: 4/5(Ótimo)
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