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Fragmentado - CRÍTICA

Seja bem-vindo de volta M. Night Shyamalan.

Quando um diretor se destaca por alguma produção de baixo orçamento, logicamente ele é alçado a voos mais altos, para projetos mais arriscados, maiores, milionários, e uma pressão se instaura para que sua próxima obra seja tão boa quanto aquela que deu origem a essa fama desgovernada. 
M. Night Shyamalan é este exemplo hollywoodiano e do quanto se pode ficar preso em um estilo que você mesmo criou. Entretanto, Fragmentado é sua redenção, é o seu retorno, é o seu plot twist pessoal!

Kevin possui 23 personalidades dentro da sua mente, cada uma diferente, com um jeito e trejeitos peculiares. Porém algo está para acontecer, uma vigésima quarta está para surgir e isso poderá ser terrível, não apenas para o rapaz, mas também para as três jovens sequestradas por uma de suas personalidades.

O que temos nessa produção é uma ótima mistura de movimentação de câmera, ambiente e iluminação. 
Sempre trabalhando o close no rosto de seus atores e deixando o fundo desfocado, o diretor consegue criar em todo tempo uma aura de tensão, pois é esperado que algo surja repentinamente, ou que alguma coisa que está atrás possa servir de pista para a solução do mistério principal. Ao mesmo tempo, os ambientes são claustrofóbicos e apertados aparentemente, entretanto, quando há uma mudança na luz, e a fotografia nos ajuda a identificar em que espaço se encontram os personagens, tudo se torna amplo, grande, e ainda mais assustador. Corredores extensos demais, tubulações que parecem não ter fim, um quarto que parece aumentar a cada cena. 
É perceptível a alegoria do espaço com a vigésima quarta personalidade. E toda essa construção técnica nos faz percorrer a trama acompanhados por uma atmosfera de suspense, que de maneira abrupta nos lança em um ambiente de terror.

Assim, M. Night Shyamalan faz aqui o que pode ser considerado o seu melhor trabalho de elenco, principalmente com o protagonista, James McAvoy e a jovem Anya Taylor-Joy.

Seja como Kevin, Patricia, Hedwing ou Dennis, McAvoy surpreende em todos os momentos em cena. As mudanças em seu tom de voz, postura, expressão acontecem de uma maneira tão natural que torna cada close em seu personagem assustador. Há um determinado momento de conversa no consultório da doutora Karen Flacther, interpretada pela ótima Betty Bucley, onde uma troca de personalidades ocorre, e a fisionomia do ator muda automaticamente gerando um espanto arrebatador.

Num nível tão bom quanto, Casey, uma das jovens raptadas interpretada por Taylor-Joy, foge totalmente ao estereótipo de "mocinha de suspense", sua inteligência, percepção, e principalmente histórico (Que vemos através de Flashback), são a bagagem para que um desenvolvimento aconteça de maneira gradativa e assertiva para história.

Fragmentado é o retorno de Shyamalan a suas origens, aos ótimos O Sexto Sentido e Corpo Fechado, sem a necessidade de uma reviravolta mirabolante e nem fica preso a necessidade de revelações absurdas. A narrativa cumpre o que promete e vai além, transformando o pensamento do espectador e fazendo-o ficar atordoado não com imagens grotescas, mas na capacidade do diretor de permear o suspense e terror, em seus questionamentos sobre humanidade, personalidade e vilania. 
Talvez os anos perdidos em projetos ruins sejam obras de outras personalidades que ocuparam o seu lugar. Ainda bem que o M. Night então recuperou o controle. Recuperou a técnica de fazer boas histórias aterradoras.

Nota: 5/5 (F*DA P#A C@RALH*)
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