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A Vigilante do Amanhã: Ghost In the Shell - CRÍTICA

Uma adaptação sem alma.

Exigir de Hollywood uma adaptação fiel a qualquer tipo de material, seja livro, mangá, anime, peça, é um exercício inútil, diante da necessidade de se conquistar um público maior do que aquele que a obra original conseguiu. A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell é o exemplo desse apelo mercadológico, e da capacidade de tornar simples demais algo que é brilhante por ser complexo.

Mira é o primeiro ciborgue com cérebro humano e corpo tecnológico da empresa Hanka, a qual, trabalha ao lado do Setor 9, organização do governo que atua no combate ao crime. Entretanto, o passado da protagonista e o surgimento de um terrorista podem estar interligados, colocando não apenas a vida da Major em risco.

Esta crítica poderia ser encerrada nesse parágrafo, pois o anterior simplifica e desqualifica o material original escrito por Masamune Shirow, entretanto, não é intenção deste autor fazer isso, apenas foi uma reprodução do que vemos em tela. 

Todo questionamento filosófico sobre a vida humana, política, aperfeiçoamento tecnológico, e até mesmo a possibilidade de máquinas adquirirem uma alma, são substituídos por uma jornada de descoberta. Tornar algo complexo, profundo e que gera um questionamento, numa história previsível com momentos onde um suposto romance é explorado de forma quase exagerada, está longe de honrar o material origem. 

Porém, a película nos apresenta um excelente trabalho no design de produção. É como se Blade Runner fosse elevado a um nível superior. 

Os carros, os prédios com seus hologramas gigantescos, objetos de cena, cenário, fazem de A Vigilante do Amanhã, uma transposição em tela de um futuro palpável e aterrador devido ao exagero da tecnologia. Logicamente, existem ambientações extraídas diretamente do anime de 1995. 
O diretor, Rupert Sanders, explora a câmera lenta, fazendo com que o espectador possa observar todos os elementos que compõe a sequência da vez. Ainda assim, as cenas de ação não possuem personalidade ou a brutalidade que a obra já carregou.

É necessário comentar a atuação da protagonista! 
Scarlett Johansson vivencia a Major de forma assertiva, sua expressão fria, vaga, além da movimentação de corpo, nos transmitem um esforço em fazer da sua heroína semelhante a personagem icônica dos mangás. Não é atoa que a atriz já se tornou uma especialista no cinema de ação!

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é a simplificação de uma obra carregada de teor filosófico, repleta de recursos convencionais e com uma dose de facilitação, do que era uma história complexa. De igual modo, entrega um espetáculo visual que eleva o que conhecemos de ambientação cyberpunk. Ao final, a película é vaga em encontrar o que realmente a define, falta em Hollywood a identidade que sempre existiu em animes e mangás. 
Falta nessa adaptação, uma alma!

Nota: 3/5(Bom)
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