Ads Top

Sete Minutos Depois da Meia Noite - CRÍTICA

A arte de nos fazer chorar


É de costume todo ano ter um filme muito bom sendo completamente ignorado no Oscar, não é mesmo? A bola da vez é o longa de drama e fantasia dirigido por Juan Antonio Bayona. O filme possui uma direção bem conduzida e efeitos especiais de primeira, mas além disso está um elemento central e memorável: a arte de nos fazer chorar.

Uma narrativa é constituída de momentos que vai de encontro ao seu público alvo. Esses momentos podem ser cômicos, cuja intenção é nos fazer gargalhar, ou de alegria, que arranca de nós um sorriso sincero pela condição das personagens da história. Há momentos em certas histórias onde o que prevalece é o suspense ininterrupto, criado para nos tirar o fôlego, o terror que arregala nossos olhos e acelera nosso coração e o grotesco, causando nojo e, inclusive, a ânsia de vômito. Não dá para esquecer da nostalgia, um momento criado especialmente para os fãs, que reagem com gritos, choros ou risos. Mas há um momento específico em algumas narrativas que marcam a vida de uma pessoa para sempre: a dor, aquela que vem da alma, que revive lembranças até mesmo ruins, que nos causa um sentimento de pena e nos faz desabar em lágrimas. Eu poderia resumir a crítica de Sete Minutos Depois da Meia Noite nessa última parte e parar por aqui.

Adaptação do livro “A Monster Calls” de Patrick Ness, o filme narra a história de Conor, brilhantemente interpretado por Lewis MacDougall (Peter Pan, 2015), um menino de 13 anos de idade com muitos problemas na vida. Seu pai (Toby Kebbell) é muito ausente, a mãe (Felicity Jones) sofre de câncer em fase terminal, a avó (Sigourney Weaver) é uma megera, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore (Liam Neeson) que decide contar histórias para ele, em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia.

A premissa do filme é dolorosa, principalmente por invocar de um drama uma fantasia infantil. O ator mirim Lewis MacDougall soube transparecer em cada cena os sentimentos de uma criança com todos aqueles problemas. Merecia uma premiação! O mesmo não podemos dizer dos outros, não por falta de esforço, mas porque seus personagens eram figuras distantes na vida de Conor, que vivia ali refugiado em seu próprio mundo. Toby Kebell faz aquele pai distraído que se mostra preocupado, mas não tem a responsabilidade de atuar mais ativamente na vida do garoto. Felicity Jones estava perfeita nas pequenas cenas que apareceu como a mãe debilitada de Conor, principalmente na forma física; vê-la daquele jeito através do ponto de vista do menino é muito angustiante. E Sigourney Weaver, mesmo que não tenha precisado atuar mais do que seu papel lhe exigiu, soube encarnar a avó com bastante frieza e rispidez, como se fosse obrigada a levar toda aquela situação da filha doente e do neto problemático nas costas apenas porque ninguém mais poderia fazer.

Se houve um coadjuvante de peso, esse papel ficou com Liam Neeson. Mesmo não aparecendo em tela, o ator soube narrar com maestria as histórias para Conor através do seu vozeirão e as expressões faciais que concedeu a árvore gigante. A criatura ficou visualmente muito impressionante!

Outros detalhes do longa ficam por conta do roteiro muito bem construído e a bela fotografia. É difícil entender porque um filme como esse ficou de fora das indicações do Oscar.





Nota: 5/5
Tecnologia do Blogger.