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Luke Cage - 1ª Temporada - CRÍTICA

A realidade, a música e Luke Cage



Conhecemos um herói cego que tenta defender a sua cidade de todos aqueles que querem subjugar cidadãos indefesos. Fomos apresentados a uma investigadora particular que precisava descobrir o seu lugar e vencer os abusos do seu passado.
Mas agora, Marvel e a Netflix vão até as ruas do Harlem para trazer ânimo e força ao gênero de super-heróis. Luke Cage não é apenas mais um sucesso do serviço de Streaming, é o diálogo com a nossa realidade, com o preconceito que nos cerca, com o sistema falho, com a luta pela sobrevivência!

Luke Cage aparentemente era apenas o rapaz que varria os cabelos dos clientes na barbearia do Pop, ou o lavador de pratos em Harlem’s Paradise. Porém, ao entender o seu local dentro do Harlem e o quanto aquele bairro precisa ser defendido para enfim mudar, temos um dos principais heróis da década de 70 em ação. E muitas vezes, colocar-se como um defensor irá requerer de Luke provar sua própria inocência.

Jazz, Hip-Hop, Soul, a música dita o ritmo na nova série da Marvel em parceria com a Netflix. Trabalhando como um personagem que fica apenas no plano de fundo, a trilha sonora não apenas embala as cenas, determina o ritmo, o peso e os sentimentos transmitidos, nos remete a essência dos quadrinhos, ao blaxploitation da época de criação do herói sem cair numa caricatura.
Desta forma as cenas de ação, com ótimas coreografias e bom aproveitamento dos cenários, se tornam sequências onde a violência é explorada de forma maior do que em Jessica Jones, tudo isso numa fotografia que enaltece o Harlem e usa da paleta de cores amarelada em diversos locais!

E cada local nos apresenta um elenco que agrega muito mais do que os personagens das páginas transpostos para a realidade, cada um dos coadjuvantes possui uma profundidade única, suas histórias são bem contadas em tela, ainda que soltem uma ou duas frases clichês, o grande triunfo de Luke Cage são os atores. Cottonmouth (Mahershala Ali), Shades (Theo Rossi), Mariah Dillard (Alfre Woodard), Misty Knight (Simone Missick), Diamondback (Erik LaRay Harvey), Pop (Frankie Faison) e Claire Temple (Rosario Dawson), são alguns dos que conseguem estabelecer a continuidade da narrativa da série e reviravoltas!
Já Mike Colter, o protagonista, mostra que sua participação em Jessica Jones não era tudo o que tinha a oferecer ao espectador. Ele carrega as dúvidas de Cage, o sentimento de fazer ou não justiça com as próprias mãos, trabalhando as cenas que exigem uma entrega dramática ou sua capacidade física.



Além disso: Wilson Fisk, Justin Hammer, Os Vingadores, Stan Lee, Demolidor, Jessica Jones, Punho de Ferro, são citados ou lembrados em easter eggs. E ainda Quentin Tarantino, Beyoncé, Tupac, Notorius B.I.G, Star Wars, são algumas outras referências extra Universo Marvel.

Luke Cage é a série que consegue trazer e trabalhar um herói dentro da realidade de forma mais clara e precisa. Corrupção política, abuso policial, racismo, tráfico de drogas, se fazem maiores que Thanos e qualquer outro super vilão, pois ameaças alienígenas e seres com poderes, não são nada se comparados aos atos de sobrevivência que são exigidos quando se vive nas ruas do Harlem! A narrativa é relevante e atual, não fugindo de suas origens dos quadrinhos, mas atualizando para discussões que são pertinentes hoje!
Uma surpresa e tanto da Netflix, uma série que vai além do divertimento, de um herói que precisávamos!

A 1ª temporada de Luke Cage está disponível na Netflix.

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