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Assassin's Creed: O Filme - CRÍTICA

Isso não é um jogo.


O grande problema com as adaptações cinematográficas baseadas em jogos de videogame é a tentativa falha de agradar a dois públicos. Quem nunca jogou Assassin’s Creed, ao assistir ao filme, com certeza vai se sentir um pouco perdido com a trama mastigada e repleta de informações desconexas. Por outro lado, os fãs da extensa franquia de jogos da Ubisoft podem sair da sala de cinema com certa insatisfação diante do material adaptado.

Sentenciado à morte por homicídio culposo, Callum Lynch (Michael Fassbender) acorda inesperadamente em uma sala de recuperação das Industrias Abstergo. Diante dele, a Dra. Sofia Rikkin (Marion Cotillard), que lhe apresente o ANIMUS, um aparato tecnológico capaz de acessar a memória genética dos indivíduos. Através do ANIMUS, Cal consegue reviver os passos de seu ancestral Aguilar, membro do Clã dos Assassinos, uma sociedade secreta que há séculos vem lutando contra os Templários. Acessando a memória genética de Cal, a organização espera descobrir o paradeiro da Maçã do Éden, um artefato perdido que pode ser a chave para expurgar o gene violento da humanidade.

Justin Kurzel (Macbeth, 2015), novamente parece mais preocupado com o visual do filme do que com o roteiro em si. Dividido em dois momentos (a Inquisição Espanhola e o tempo presente), Assassin’s Creed é bastante elogioso no quesito Direção de Arte. Toda a iconografia dos jogos está presente aqui (o parkour furioso pelas construções medievais, o salto da fé, e até mesmo a figura icônica da grande águia), num misto inebriante e esfumaçado de amarelo e vermelho. Já as sequências no tempo presente são marcadas pelo alto contraste, todo carregado em tons de azul e muita luminosidade.

Contudo, diferente dos jogos, Kurzel parece ter decidido construir dois terços da trama do filme na parte menos interativa da franquia, isto é, o tempo presente. Apesar do orçamento de 125 milhões de dólares, apenas um terço do filme se passa na Idade Média. O restante da narrativa se perde em explicações pouco informativas, que não satisfazem os leigos e deixam os fãs da série entediados. A tal Maçã do Éden, por exemplo, é uma incógnita que termina sem solução.

E o elenco, em boa parte, faz um bom trabalho. 

Michael Fassbender, que também é produtor executivo do filme e fã da franquia de jogos, constrói Callum Lynch entre um misto de brutalidade e melodrama. E apesar de alguns pontos na trama não serem bem construídos, o ator entrega a emoção necessária à cena, seja ela uma sequência de ação, ou um diálogo entre pai e filho cujo passado não está bem resolvido - destaque para a cena com o Brendan Glesson. 

Os demais atores, apesar de certo renome, ficaram bastante sub-utilizados, com falas de efeito e pouca presença em cena.


Apesar de ter seus problemas, ouso dizer que Assassin’s Creed é uma das melhores adaptações de franquia de jogos para o Cinema – principalmente levando em conta filmes como “Max Payne”, “Tekken” e até mesmo o recente “Warcraft”. Talvez, se essas adaptações se firmarem como um novo gênero cinematográfico, vamos torcer para que as próximas produções procurem trazer um pouco mais de ritmo, fidelidade ao material original e, por que não, o bom e velho fan service. 
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