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Animais Fantásticos e Onde Habitam - CRÍTICA

O universo mágico dentro de uma maleta




2011 se tornou um ano derradeiro para os fãs de Harry Potter, último filme lançado, o fim de uma saga que saiu das páginas para conquistar o mundo inteiro, o sentimento de que tudo chegava ao fim. Mas há três anos, o anúncio de que o universo mágico criado por J.K Rowling ganharia novos “capítulos” no cinema veio como um misto de surpresa e incerteza. Entretanto, quando a logo surge na tela, você só quer saber pra onde você será levado por tamanha magia!

Newt Scamander chega à Nova Iorque com a missão de encontrar um presente, mas as coisas não vão da forma como o jovem pesquisador de animais exóticos e mágicos gostaria. Existem ameaças que podem causar a exposição do mundo bruxo aos humanos, e o temor dos ataques de um bruxo poderoso ronda a todos. Em meio a tudo isso, e com animais mágicos soltos pela cidade, os perigos podem ser maiores ainda.

J.K Rowling consegue expandir o seu universo de maneira inteligente e precisa. Sem a necessidade de se prender aos livros da saga original, a autora, e agora roteirista, estabelece uma viagem no tempo e na história. Há uma contextualização de uma América se reconstruindo muito presente e sútil. Ao mesmo tempo, estabelece o peso a e carga dramática necessária aos personagens que estão vivenciando esse momento. A direção de David Yates é experiente e assertiva, enaltece a magia, valoriza as sequências de ação e novamente produz aquele deslumbre que "A Pedra Filosofal" nos causou em 2001.
Tudo isso empregado a efeitos visuais e práticos que preenchem a tela e valorizam o 3D! Tanto a destruição como reconstrução de cenário é executada de forma exímia, os duelos são bem coreografados e dão uma liberdade de movimentação que somente a partir do quarto filme da franquia original conseguimos ver. Entretanto a trilha sonora se manteve presa a canções semelhantes às de Harry Potter, talvez aproveitar um pouco mais do clima da época fosse o ritmo necessário para as músicas em cena.

E o elenco?

Protagonista e elenco de apoio estão imersos no universo. Eddie Redmayne consegue um tom discreto, esquisito e dócil ao seu Newt. Ele não carrega peso de ser um “escolhido” e não precisa de um fardo de herói! Dan Fogler faz do seu Jacob um dos melhores alívios cômicos dos últimos anos no cinema, seu espanto com o mundo mágico nos causa uma empatia sem tamanho, arrancando risadas constantes. O elenco feminino encabeçado por Alison Sudol e Katherine Waterston estabelece os seus arcos sem precisar de momentos caricatos ou exagerados. Colin Ferrell e Ezra Miller são competentes em cena, você acredita na amizade, um tanto abusiva, e no que ela irá se tornar. Já sobre o surgimento de Johnny Depp em cena não há muito que se dizer, ele está lá e ponto. Não está bom e nem ruim, simplesmente existe. Neste universo o ator deverá aprender um novo jeito de se portar quando a câmera começar a gravar, pois os seus tipos, afetados e caricatos, não são o suficiente para a profundidade dos personagens de Rowling.


Assim, quando vemos Newt em seu momento de despedida percebemos o quanto nos envolveu ainda mais esse universo. O quanto nada se perdeu e o quanto as referências fizeram com que soltássemos sorrisos na sala de cinema. Retornar ao passado do mundo bruxo e ainda presenciar o surgimento de uma aventura ainda maior do que aquela que conhecemos é um presente!
E como tal deve ser apreciado, aproveitado e se converter em gestos de agradecimento. Assim, embarcamos em um navio para outro destino, onde novamente a maleta de Newt se abrirá e onde ameaças maiores surgirão. Mas sabe qual é a maior certeza que temos? J.K Rowling nos mostrou que a magia sempre existiu e nunca morrerá, ainda que Harry Potter não seja mais o centro de todo universo.
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