Ads Top

A Grande Muralha - CRÍTICA

 Um homem branco bancando o herói? Sim, de novo!

O cinema chinês sempre nos presenteou com grandes fábulas transpostas para telona, O Tigre e o Dragão e Herói são exemplos da exuberância, colorido e da criatividade em contar histórias que vão além do que estamos acostumados. Porém, quando essa qualidade encontra com o modo ocidental de fazer cinema, um pouco desta magia chinesa se perde, e não há guerreiro caucasiano que consiga salvar tal acontecimento.

William é um comerciante-ladrão, que já foi um soldado e após sofrer uma emboscada junto com seu companheiro, Tovar, acabam de frente para Grande Muralha da China, onde um exército do país está em combate constante com criaturas jamais vistas e que podem destruir o mundo inteiro.

A direção de Zhang Yimou nos entrega um espetáculo visual praticamente impecável. Desde os malabarismos e coreografias de combate, ao design das armas e armaduras, além da forma como a câmera percorre a muralha a tornando um personagem imponente, tais características são capazes de nos causar um deslumbre automático. A sequência inicial de combate onde podemos ver a diferença de cada uma das tropas, além do colorido  de sua movimentação, é uma pintura realizada através da ação. 

Infelizmente a narrativa não sustenta o poder da lenda e nem a forma como é contada. A previsibilidade do roteiro, os momentos de alívio cômico ora desnecessários, ora repetitivos, diminui o valor da fábula. Há uma necessidade de estabelecer dois arcos importantes e fazer com que ambos dialoguem no decorrer da película. Entretanto, é possível criar uma empatia com toda luta contra os Tao Tei, diferentemente, da busca pela pólvora. Obviamente, isso acontece por conta do nome de peso no elenco, Matt Damon, que é o clichê da jornada clássica de redenção!


Mesmo assim, o ator é um dos grandes destaques da produção. 
Se mantendo como um herói de ação do início ao fim, Damon, nos entrega uma imersão total aos acontecimentos que lhe são apresentados e suas cenas com Jing Tian, revelam uma interação assertiva. A atriz por sua vez, consegue transpor toda força e imponência de uma líder de exército, além de possuir um dos figurinos melhor desenvolvido pela produção. Já Pedro Pascal e William Defoe, estão lá para que as piadas sejam ditas e que parte da trajetória óbvia do protagonista aconteça. E fim!

A Grande Muralha não é uma ofensa as lendas chinesas que já foram contadas no cinema, mas está longe de entrar para o seleto grupo de obras que nos trouxeram um espetáculo narrativo vindo de terras tão longínquas. Visualmente deslumbrante e com sequências absurdamente bem executadas, a história de redenção de um ocidental longe de sua terra natal é até interessante se você desligar o senso crítico. Do contrário, seria muito melhor se apenas os chineses continuassem sua luta, e principalmente, sua narrativa lendária!


Nota: 3/5 (Bom)
Tecnologia do Blogger.