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3% - 1ª Temporada - CRÍTICA

Acertos, erros, e o mérito de 3%



As últimas distopias apresentadas no cinema buscaram inspiração em 1984 de George Orwell, O Senhor das Moscas de William Golding, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Admirável Mundo novo de Aldous Huxley. Ideias semelhantes, porém sem a mesma capacidade narrativa. 
Assim, quando anunciada a primeira série brasileira na Netflix, ficou a pergunta: Será que vai dar certo? A resposta veio nesse último dia 25 de novembro, onde podemos constatar a boa ideia que envolve a trama, mas que emula muito do que já foi feito.

3% nos apresenta o Continente, um Brasil devastado, com escassez de todo tipo de recurso. Mas existe uma chance de mudança, quando os habitantes completam 20 anos, eles podem se candidatar ao Processo, diversas provas que avaliam a capacidade de cada um e o merecimento para se chegar ao Maralto, local onde tudo, até onde sabemos, é perfeito! Mas apenas três por cento daqueles que se inscrevem chegam ao final. Apenas o melhores!
É impossível não fazer comparações com sagas como Jogos Vorazes e Divergente, e talvez esse seja o grande problema da série brasileira. Chegar a uma época em que esse gênero foi tão desgastado por jovens heroínas em busca de redenção e amor.
Entretanto, quem espera uma jovem sendo disputada por dois rapazes ou conflito interno por não se adequar ao mundo pode esquecer. Cada episódio apresenta uma prova que os participantes deverão cumprir, ao mesmo tempo temos relances do passado e o motivo de cada um estar ali. Então temos um acerto.

A direção de César Charlone, que foi diretor de fotografia em Cidade de Deus, faz um trabalho raso em vários momentos. Principalmente quando se tratar de intercalar entre o passado e o presente. Ou entregar uma revelação, não há peso ou carga dramática nessas cenas. Ao mesmo tempo a narrativa não se preocupa em explicar o que acontece no Continente antes do Processo e muito menos o porquê do Maralto ser tão almejado por todos. É como se houvesse uma tentativa de gerar curiosidade, de forma totalmente preguiçosa e sem profundidade.
Entretanto, os ambientes são bem explorados, o design de produção surpreende, o figurino se encaixa na temática apresentada. Outro acerto!

O elenco tem seus bons momentos. João Miguel, o Ezequiel, é o grande nome da série. O mistério por trás de seu personagem, o seu passado, são elementos explorados de forma exímia pelo ator e por mais que a história o apresente como possível vilão é difícil chegar a esse ponto. Bianca Comparato faz o seu trabalho de forma assertiva, sem exageros, mas mal dirigida quando a sua Michele precisa ir ao extremo de seus sentimentos. Outro destaque é Vaneza Oliveira, a Joana, que perambula pelas camadas de sua personagem sem restrições. Os demais, pontualmente acertam, porém não quer dizer que convençam em tela ou que não caiam no estereótipo de personagens deste gênero.


3% não é uma oportunidade perdida para séries brasileiras ou desperdício de tempo de quem for assistir. Os problemas da série podem ser corrigidos caso haja interesse em continuar a história e o mérito da distopia tupiniquim não se perdeu em seus oito episódios, tão pouco diminuiu a tentativa, que vem desde 2011. Existe muito a ser explorado do mundo que nos é apresentado, mas se a própria narrativa não acreditar que é merecedora de estar no hall das grandes histórias do gênero, não seremos nós que convenceremos!
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