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Três Anúncios para um Crime - CRÍTICA

A justiça quando encontra uma mãe como parceira é incontrolável

Em uma determinada cena Frances McDormand, na pele de sua personagem, é confrontada por um homem que invade sua loja. Ele a ofende diversas vezes por algumas atitudes que foram tomadas, em resposta, a protagonista apenas responde fazendo algumas perguntas. O seu olhar demonstra não apenas o domínio em cena, consegue transmitir um turbilhão de sentimentos que apenas quem realmente vivenciou o que a história conta, poderia expor.
Eu poderia finalizar minha crítica por aqui!

Mildred é uma mãe que teve a filha brutalmente assassinada e o assassino nunca foi preso pela polícia. Cansada de esperar por uma resolução, e com o tempo passando, ela decide colocar três outdoors na estrada que dá para sua casa, na intenção de chamar a atenção de todos para o que aconteceu e principalmente encontrar o culpado pelo crime.

Martin McDonagh conta e dirige essa história original como quem apresenta um conto extraído dos melhores nomes da literatura policial, mas com um toque dramático, cômico, satírico e enigmático. 
O diretor nos faz adentrar a sua narrativa, é como um convite a cada movimento que a câmera faz para dar foco as expressões, trejeitos, fazendo com que cada personagem soe caricato, entretanto, não caindo no pastiche. 
Tudo é executado com brilhantismo, as piadas que possuem um senso de humor incômodo, causador de estranhezas e desconforto, tem seus espaços. O drama é empregado de forma clara, objetiva, nós compreendemos a dor da mãe, ao mesmo tempo que outros personagens tem suas camadas de humanidade vindo à tona. A trama policial é assertiva, sem excessos ou reviravoltas mirabolantes, vai do ponto inicial ao final, trazendo consigo tudo o que foi mostrado, entregando um desfecho triste, porém de certa forma carregado de justiça.
Ao menos duas sequências vão deixar uma marca clara de tudo o que a direção e roteiro proporcionam ao espectador, ambas envolvem incêndios, deixando evidente o ápice dos sentimentos que estão rondando todos que participam daquele momento na pequena cidade. 

Logicamente, tudo isso se deve, também, ao elenco que independente de ser protagonista ou não, conseguem entregar atuações tão emblemáticas. Apesar de ter começado falando sobre ela, Frances McDormand é o grande nome da produção. Um verdadeiro catalizador de emoções e que as expurga de tal forma a cativar o espectador desde a primeira cena. Sam Rockwell, perambula a antipatia e a empatia como quem brincasse a cada diálogo, não existe em seu personagem uma "vilania", e conforme vamos acompanhando o seu desenvolvimento isso fica bem claro. Woody Harrelson, por sua vez, gera total relação com quem o está assistindo, você compra os seus conflitos, dores e problemas, por mais que o ator pareça representar sempre da mesma forma.

Três Anúncios para um Crime é cômico, dramático, triste, satírico, com um plano de fundo uma trama policial carregada de mistérios. 
Dirigido e roteirizado com maestria, demonstra muito mais do que uma simples jornada de vingança ou justiça. A exposição de como um fato consegue criar uma reação em cadeia, de emoções e atitudes, é o cinema colocando em tela o que o ser humano é capaz de realizar, pensar, dizer, quando algo o incomoda e isso sem qualquer economia dos sentimentos mais obscuros.
Tudo isso, diversas vezes está apenas no olhar de Mildred!
Que filme senhoras e senhores! Que filme!


Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)

Três Anúncios para um Crime concorre a seguintes categorias no Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante(Duas indicações), Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original.
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