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Cinquenta Tons de Liberdade - CRÍTICA

Um comercial de perfume com quase duas horas de duração



Tudo começa com os votos de casamento! 
Se eu não me engano 'A Saga Crepúsculo' tem um filme com esse mesmo início. 
Por mais que saibamos que as histórias de Christian e Anastasia façam alusão aos vampiros que brilham, faltou inspiração e emoção logo nas primeiras cenas. O que pode fazer o expectador ainda criar uma certa esperança de que tudo ali pode mudar para algo interessante.
Mas engana-se quem pensa que as coisas melhoram. Engano mesmo!

Anastasia e Christian se casaram, agora a vida mudou. Entretanto, ele quer dar o mundo inteiro a sua esposa, ela, ainda quer desfrutar de sua liberdade, trabalho e convívio com os amigos. 
Assim os conflitos do casal afloram ao mesmo tempo que a Sra. Grey se vê ameaçada por alguém do passado que pode colocar em risco não apenas sua vida, mas de toda sua família.

James Foley até tentou, porém tudo fica apenas nas tentativas de criar algo com um roteiro raso, insosso, longe de qualquer profundidade. 
A direção, que na produção anterior valorizava os ambientes, utilizava bem da fotografia, aqui simplesmente está automática, estática, neutra.
Suas cenas de sexo, poucas, rápidas, como uma ejaculação precoce em forma de película, servem apenas para talvez chamar atenção para os corpos bonitos dos atores, que reforçam a estética do filme inteiro como um comercial de perfume em todos os seus elementos.

Junte isso, com um certo amadorismo apresentado durante a edição e captura das imagens. 
Cortes abruptos, sequências que não encaixam na narrativa, câmera que visivelmente sai do nivelamento (Onde você estava neste momento diretor?) e novamente temos uma mistura incômoda de gêneros do cinema. Ora temos um romance, passamos por uma tentativa de softporn e acabamos em uma trama policial, com uma sequência digna de Missão:Impossível.
Sinceramente, há qualquer momento poderia surgir a moça fantasma de Cinquenta Tons Mais Escuros!


O que temos de escape nessa produção é Dakota Johnson! 
Há emoção em suas palavras, olhares e gestos. Isso faz com que a atriz carregue a narrativa inteira, ganhando um protagonismo eficiente, com frases nos diálogos até interessantes, mas que são completadas por uma reação machista do seu companheiro, que por sua vez ainda não aprendeu a fazer outro tipo de expressão em seu rosto. Anastasia soa como uma personagem, enfim, interessante, porém que vivencia a história de sucesso errada e com as pessoas erradas a sua volta. E falo das atuações mesmo!

Cinquenta Tons de Liberdade finaliza a trilogia abraçando ainda mais a alcunha de ter saído de uma fanfic de Crepúsculo. Com uma direção preguiçosa, desleixada, que parece ter esquecido dos poucos acertos conquistados no seu filme antecessor, o softporn do casal Grey deve sim levar muitas pessoas ao cinema, principalmente aqueles que querem ver os dois então felizes para sempre.
Entre um quase cochilo durante a exibição, a única certeza que fica era que se realmente a trama tivesse abraçado a narrativa de espionagem, teríamos algo mais interessante em tela. Pois nem quando o ato sexual ocorre, James Dornan consegue simular uma feição de prazer.
E estes filmes eram sobre isso né? Prazer.

Nota: 1/5( Aproveite o feriado longe dessa sessão)
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