Ads Top

Altered Carbon - CRÍTICA

Universo surpreendente, personagens mal aproveitados.



Chegou no último dia 02 na Netflix a tão aguardada, divulgada e comentada série de sci-fi Altered Carbon (Finalmente não é meixmo?), criada por Laeta Kalogridis (O exterminador do futuro: Gênesis) e baseada no livro de mesmo nome de Richard K. Morgan.

A série que é ambientada no século XXV, traz a história de um ex-militar de elite contratado para desvendar um assassinato, mas que acaba lançado no meio de uma conspiração que vai muito além do crime investigado. Várias tretas.

Num futuro distópico onde a morte é mero detalhe, as pessoas agora têm suas memórias armazenadas em cartuchos corticais e essas memórias podem ser transferidas para um novo corpo quando o antigo deixa de funcionar, e é esse o primeiro aspecto do universo de Altered Carbon a que somos apresentados. Tudo começa com a morte do ex-militar de elite Takeshi Kovacs (Byron Mann, Ryu em Street Fighter no primeiro episódio, e Will Yun Lee, Elektra; Wolverine Imortal nos demais) e a transferência de sua consciência, 250 anos depois, para uma nova "capa" (Joel Kinnaman, Robocop) em Bay City (Antiga San Francisco) a pedido de um homem extremamente rico, Laurens Bancroft (James Purefoy, Coração de Cavaleiro) a fim de investigar seu próprio assassinato. Takeshi que ficou no gelo (como chamam o lugar onde os cartuchos não reencapados ficam) por 250 anos por vários crimes cometidos no passado, é uma lenda. 
Ele era um emissário, um tipo de rebelde que lutava contra o fato de as pessoas mais ricas poderem manter-se sempre com a mesma aparência, comprando clones reserva e fazendo o back-up de suas memórias, perpetuando suas histórias de domínio e riqueza (a ponto de estarem acima das leis), enquanto as pessoas sem condições para tais feitos, tinham de contentar-se com qualquer "capa", como por exemplo, uma criança de 7 anos no corpo de uma senhora de 70, e no caso da perda do cartucho, a morte real, sem possibilidade de reencapamento. Kovasc acaba contando em sua investigação, com a ajuda de Vernon Elliot (Ato Essandoh, Django Livre), um ex-fuzileiro, e Poe (Chris Conner), o dono de um hotel bastante prestativo.


Altered Carbon nos traz novas perspectivas sobre a morte, relações humanas, religião e conceitos como alma, apego e aparência. Na medida em que os episódios avançam, a história vai sendo gradualmente construída, de forma que possamos entender o universo como um todo e cada um de seus personagens individualmente (pelo menos os com mais destaque), como o desenvolvimento da detetive Kristin Ortega, interpretada por Martha Higareda (Cásese quien pueda), chata no início mas cativante no fim da obra. A dinâmica da cidade de Bay City é bastante interessante e um dos cenários mais bonitos criados pela Netflix. Mas apesar de toda beleza, personagens bem construídos em sua maioria, universo surpreendente e alta dose de ficção científica que cai tão bem quanto um sorvete num dia de verão (cai bem mesmo!), os personagens são mal aproveitados e alguns diálogos e arcos são desnecessários, arrastados e até clichês. 

A série tem sacadas muito boas, como a própria cidade, já citada. Os ricos e influentes estão acima não só socialmente falando, mas literalmente também, em construções muito acima das nuvens, onde só é possível chegar pelo ar e claro, se você for convidado. Outra boa sacada é a referência ao escritor Edgar Allan Poe, perceptível de cara para quem curte o autor e numa riqueza de detalhes incrível. Podemos citar também, a mudança de foco da história, perceptível mas sutil, te fazendo mergulhar de forma que você entende que o que acontece ali é algo bem maior que um assassinato. Destaco ainda, a pluralidade racial e de gênero entre os personagens e elenco, que te faz questionar muito o quão importante é a aparência de uma pessoa ou "capa". Mas o que dizer da surra de nus ou do romantismo clichê que acaba deixando algumas afirmações bem contraditórias? Um pouco desnecessário. (Globo de ouro para as nádegas de Joel Kinnaman



De qualquer forma, Altered Carbon funciona bem! 
A mistura feita entre o conceito de humanidade, inteligência artificial, realidade virtual e concepções religiosas é uma coisa bonita de se ver desenvolver. Classificaria Altered Carbon uma série introdutória, de origem, assim como a primeira temporada de O justiceiro, e ainda que mal aproveitados, os personagens são bem estruturados e trabalhados, o universo criado é incrível e riquíssimo em detalhes e com toda certeza, é difícil não assistir tudo compulsivamente e esperar por mais (Já pode nos dar uma data Netflix). 
Tecnologia do Blogger.