Ads Top

O Touro Ferdinando - CRÍTICA

Poderia se chamar também: precisamos falar sobre diferenças com os pequenos



As atuais animações se tornaram grandes eventos cinematográficos, pois já se foi o tempo onde apenas o público infantil, acompanhado de seus responsáveis, iriam lotar as salas de cinema. Atualmente, pessoas de todas idades esperam ansiosas por tais produções, até mais do que qualquer outro live action Hollywoodiano, e com uma temática relevante, totalmente discutível, a nova produção de Carlos Saldanha tem muito a dizer, mas peca na ingenuidade excessiva.

Desde pequeno Ferdinando sabia que não era igual aos demais touros, que já se preparavam para batalhar em uma arena logo que crescessem. Após uma perda, o bezerro foge e é acolhido por Nina e seu pai, que moram em uma fazenda que cultiva flores. Os anos passam e Ferdinando se envolve em uma confusão que o leva de volta a um local do passado, onde precisará da ajuda de todos para então voltar para casa.

Carlos Saldanha, diretor de Rio e A Era do Gelo, comanda com delicadeza, simplicidade e competência a adaptação do livro de Munro Leaf. 
Dá vida aos personagens em uma paleta de cores vibrantes, com um traço na animação quase que cartunesco. Em diversos momentos faz com que o espectador perceba o tamanho do touro Ferdinando, com planos debaixo para cima, fazendo também as comparações em relação ao ambiente que está a sua volta e com quem interage. Falando em ambientação, há todo um cuidado em retratar a Espanha, ainda que uma forma bem modesta, é possível perceber traços da cultura, que vão além das touradas, presentes na animação.


Entretanto a película peca por ser ingenua demais, apesar de possuir uma temática sobre aceitação e empatia. Por mais que o discurso de vários personagens mude com relação a proposta de aceitar aquele que não é igual, tudo é muito vago, sem a profundidade ou camadas que possam fazer com que aquele problema se torne algo que realmente irá dar ritmo a narrativa. 

Os dois primeiros atos do filme são provas disso, por mais que haja um esforço para que o tema central seja exposto, há sempre uma piada que acaba por desviar o foco. Logicamente estamos falando de uma animação infantil, mas em tempos de Zootopia, Snoopy e Charlie Brown, Moana, Minha Vida de Abobrinha, esta produção deixa a desejar no quesito relevância e emoção. Outro ponto negativo é a computação gráfica que inúmeras vezes demonstra uma certa falta de qualidade no emprego de texturas, ambientes externos (como pastagens e montanhas), e até mesmo na construção de cidades.

O Touro Ferdinando é uma animação delicada, doce, sensível, executada com carinho, mas ao trabalhar o assunto que deveria movimentar a trama, ao mesmo tempo ensinando algo para o pequeno espectador, abraça as piadas em excesso e perde no quesito design por em alguns momentos beirar um amadorismo. Certamente a criançada irá gargalhar com toda a aventura vivida pelo bovino gigantesco, mas para nós adultos, faltará aquele elemento que nos arranca lágrimas e nos faz tomar um tapa pela lição transmitida pela película.
Entre acertos e erros, não espere que a produção fale sobre respeito ao diferente, já que ela apenas dá uma pincelada. Use a história do Ferdinando para ensinar algo aos pequenos nerds! 
Pensando bem, nerds maiores também precisam assistir esse filme.

Nota: 3/5 (Bom)
Tecnologia do Blogger.