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Star Wars: Os Últimos Jedi - CRÍTICA

Rian Johnson nos mostra que a saga ainda pode ir por caminhos inimagináveis


Desde o primeiro filme da franquia nós entendemos que esperança é muito mais do que uma simples palavra. É parte da Força e impulsiona todos a continuarem lutando contra aqueles que se opõem a tudo que é bom na galáxia. Assim, somos levados uma história que percorre caminhos ousados, usando um recurso sempre presente na Space Opera: a reviravolta!

A Resistência ainda luta contra a Primeira Ordem, por mais que em número menor, permanece em pé enfrentando os ataques inimigos. Entretanto a fuga de sua base acaba em uma perseguição pela galáxia, que poderá destruir os últimos sobreviventes. Ao mesmo tempo, Rey está tentando convencer Luke de retornar a guerra e ser a esperança em pessoa para todos, mas a jovem se vê em uma forte ligação com Kylo Ren através da Força, que poderá comprometer o seu futuro treinamento no caminho Jedi, e o destino de ambos!

Rian Johnson não apenas traça seu próprio caminho neste episódio oito, amplia ameaças e heróis, em um espetáculo de direção com duas horas e meia de duração. 
O diretor não economiza em explorar os ambientes, fazendo com que as câmeras percorram os locais, as naves, utiliza bem os closes para demonstrar o sentimento no rosto de seus atores. Tudo isso em consonância com a direção de fotografia e efeitos visuais, empregados de forma eximia! O primeiro abusa da vermelhidão, deixando ao mesmo tempo ambientes predominantemente mais escuros, já o segundo eleva o nível da produção onde cada construção, digital ou não, faz parte de uma realidade tão fantástica. 
É difícil então escolher uma cena em que esse espetáculo é exemplo, pois Johnson faz com que venhamos a perceber ainda mais a grandiosidade da Primeira Ordem, deixando Cruzadores ainda mais gigantescos, e a falência da Resistência a cada nova baixa em seu exército. Não há como não se deslumbrar com a batalha no deserto de sal quando a poeira vermelha se levanta a cada nave que percorre o terreno, ou pouco antes, quando câmera percorre a trincheira mostrando o posicionamento dos soldados, que evoca totalmente clássicos dos filmes de guerra. Assim, tanto sequência inicial quanto a última batalha no espaço demonstram a capacidade de ousar, pois luzes, cores, texturas se unem em uma pintura que retrata a destruição com uma beleza ímpar.


O roteiro, também escrito por Johnson ajuda para que o show imagético aconteça, tudo isso de forma original, sem precisar se sustentar em O Império Contra-ataca. A narrativa consegue trabalhar de forma paralela até três arcos durante o decorrer da produção, fazendo com que os personagens sejam encaixados na proposta e possam evoluir conforme perigos e decisões novas se apresentam. Fica nítido a construção do embate do bem contra o mal em cada um dos núcleos, pois não há tecnicamente alguém totalmente entregue a tirania, que pode surgir em qualquer lugar.
Porém, este mesmo roteiro trata de forma rápida e abrupta alguns acontecimentos, que vão de morte de personagens até inserção de outro e sua traição, explicada de forma tão apressada que num piscar de olhos você pode perder. Da mesma forma, quando origens são apresentadas não há o drama ou o assombro para que isso comova o público, e algo tão esperado nesta nova trilogia é jogado em apenas duas frases. Igualmente a inserção do personagem de Benício Del Toro que serve para provocar uma certa lentidão em determinado ponto da película, que se recupera e volta aos eixos. 
Ainda assim, um personagem descartável!

O elenco continua tão imerso ao universo de Star Wars quanto em o Despertar da Força!
Daisy Ridley nos apresenta novas nuances de sua Rey, deixando de lado a inocência e o deslumbre com tudo que está a sua volta, ela é decidida, impetuosa e confronta não apenas quem se opõem, mas também suas próprias decisões. E isso está ligado diretamente ao Kylo Ren de Adam Driver, que foge da aura de jovem mimado revoltado, para realmente alguém que precisa se encontrar dentro do lado sombrio, isso faz com que seus trejeitos e as falas beirem o caricato, entretanto isso não atrapalha.
Carrie Fisher (Nossa eterna princesa) é uma figura imponente e poderosa, literalmente, em tela. O seu comando é algo nítido a cada momento seu e reflete em seus companheiros de tela. Mark Hamill nos entrega a melhor aparição de Luke Skywalker em toda franquia, um misto de mestre louco com sábio isolado, o Jedi é uma figura que não demonstra apenas esperança, mas a Força em sua forma mais palpável. Por fim, John Boyega e Oscar Isaac, estão assertivos em seus personagens, porém nada inovador ocorre ou que eleve o nível de atuação, ambos estão abaixo dos seus momentos no filme anterior.

Prevalece então, ao final deste oitavo episódio as sensações de mistério, apreensão, dúvida, alegria e euforia não só pelas pontas ainda soltas da narrativa, mas principalmente sobre qual trajeto a franquia irá percorrer. 
O excelente  e ousado trabalho de Rian Johnson, superior ao demonstrado em O Despertar da Força, confirma ainda mais a possibilidade de se expandir e iniciar novas aventuras neste universo, tudo em ritmo a uma direção que usa todos os recursos com maestria, sem medo de novidades, confiante do que pode ser mostrado.
Se em O Império Contra-Ataca temos o que chamamos de "uma das maiores revelações do cinema", em Os Últimos Jedi temos uma produção que com o todo arrancou as interjeições de assombro e espanto. Ouso dizer que é possível que tenhamos o melhor filme de Star Wars até o momento.
Enquanto isso, nos resta aguardar lembrando que a Força continua tão forte quanto no dia em que despertou.

Nota: 5/5 (F*D@ PR# C*RAL#O)
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