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O Rei do Show - CRÍTICA

Senhoras e senhores, eu gosto mais do Hugh Jackman assim

Ir ao circo é sempre sinônimo de show com coisas impossíveis acontecendo. As luzes, as performances, a magia, os animais, tudo se torna um número único onde há possibilidade de sonhar sem restrições. Nesse pensamento, O Rei do Show, nos traz de forma romantizada a criação do maior espetáculo da terra como o conhecemos, altamente coreografado e com uma musicalidade sem igual, porém repleto de previsibilidade.

P.T. Barnum é um homem com muitos sonhos, principalmente os que envolvem realizar grandes apresentações. Após comprar um museu e decidir transformar em um show com pessoas diferentes, discriminadas pela sociedade, ele deverá lidar não somente o sucesso grandioso e repentino, mas os ataques de quem não gosta de seu circo, um relacionamento que pode atrapalhar seu casamento, e sua necessidade de ascensão social. Tudo isso com muita música envolvida.

Michael Gracey faz um trabalho assertivo em sua direção.
Controla a câmera para que acompanhe a movimentação em cena, aproveita bem os espaços das ambientações, valoriza maquiagem e figurinos usados nas apresentações, tornando verdadeiramente  película um espetáculo visual. 
As coreografias ganham destaque, cada passo é bem capturado e executado plenamente. A sequência que acontece em um bar, envolvendo Hugh Jackman e Zac Efron é a comprovação disso, onde não apenas os protagonistas exibem seus talentos, mas o coadjuvante também acompanha no mesmo nível, assim como os objetos de cena são usados para dar o ritmo certeiro tanto a música quanto aos passos de dança, tornando esta uma cena memorável.

Entretanto, o roteiro toma total liberdade para apresentar a história do criador do circo da forma como conhecemos hoje, e essa liberdade acaba por apresentar uma previsibilidade incômoda. A partir do segundo ato do filme você consegue capturar tudo o que irá acontecer, quais os caminhos o protagonista irá percorrer, as decisões e até mesmo fica perceptível que tipo de música irá tocar. E isso perde um pouco da "magia" oferecida no início da produção. Além disso, a temática a cerca de discriminação, preconceito acontece de forma pontual e rápida, com cenas marcadas pela boa trilha sonora, mas sem a carga dramática necessária para que estes pontos se tornem emblemáticos.

Mas emblemático mesmo, é o elenco.
Existe um carisma que percorre toda escalação de O Rei do Show! 
Hugh Jackman carrega a produção e da ritmo as cenas, envolvendo os demais colegas com o conforto que demonstra no papel, além de demonstrar através do canto e dança, que se trata de um ator completo. Da mesma forma, Zac Efron, que nos apresenta uma amadurecimento musical e interpretativo que até surpreende em alguns momentos, fazendo com que sua participação ganhe o destaque necessário. E Keala Settle é o nome que marca, sua "mulher-barbada" é a transposição do que o roteiro gostaria de trabalhar sobre aceitação, suas cenas são emocionantes e quando a atriz começa a cantar "This is Me", é impossível conter as lágrimas.

O Rei do Show é um musical que irá levar o público a pensar em seus sonhos, em desejar coisas impossíveis, e pontualmente, falar sobre aceitação. Apesar do roteiro que facilmente você percebe a jornada que irá acontecer, é musicalmente bem executado, com coreografias que empolgam e um elenco que consegue capturar a empatia do espectador de imediato.
O maior espetáculo da terra pode não ter sido criado através de uma história tão romantizada, mas é esse poder cinematográfico que faz com que produções assim ganhem um lugar especial e suas canções fiquem ecoando em nossas mentes quando a sessão termina.
E lá vou eu colocar essa playlist para tocar novamente!

Nota: 4/5 (Ótimo)   
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