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Bright - CRÍTICA

Máquina Mortífera com um toque de MIB esbarrando em Tolkien

O universo fantástico sempre abre espaço para que novas histórias possam ser contadas, ainda que utilizem elementos já conhecidos, existe sempre uma curiosidade quando se misturam vários gêneros em uma única narrativa. 
Entre profecias, seres mágicos, vilões e um toque de crítica social, Bright tenta encontrar caminho para algo que emula muita coisa já assistida.

Scott Ward é um policial que não está nada contente em ter como parceiro um orc chamado Nick Jakoby, por mais que em seu mundo o convívio com criaturas mágicas seja comum, estar ao lado de alguém tão diferente pode gerar problemas. Após atenderem um chamado, eles descobrem que um artefato mágico antigo está prestes a cair em mãos erradas, isso faz com que a dupla tenha que trabalhar em conjunto para impedir que algo terrível venha acontecer em Los Angeles.

David Ayer nos apresenta um mundo repleto de características mágicas e contemporâneas ao mesmo tempo. O diretor abusa da luminosidade em diversas sequências, faz a câmera transitar entre os atores nas sequências de ação fazendo com que venhamos acompanhar os movimentos, além de esbanjar estilo ao criar momentos usando da câmera lenta. 
Tudo isso em conjunto a uma fotografia que realiza o contraste entre uma cidade chuvosa e decadente, com lugares abastados e organizados (A cidade dos Elfos por exemplo) e uma maquiagem impecável para criação dos seres fantásticos. Ayer cria seu próprio universo, com personalidade e pontua muito bem isso na construção das raças: Os Orcs que vivem no gueto, os Elfos ricos, os insuportáveis fadas, e os humanos que vivem com ódio e preconceito em relação aos demais.
Logicamente, a escolha da narrativa engata uma crítica social a cerca de racismo, preconceito, desigualdade, pobreza, a medida que os personagens vão transitando por entre a cidade e as figuras que a ocupam surgem.

Entretanto, nem toda beleza das sequências de ação mantém a película em um caminho certo. O excesso de informações se torna o grande vilão da trama, até mais preocupante que a própria antagonista. Coisas são ditas e não são mais resgatadas, coisas não são ditas e surgem como artifício nos últimos momentos, além de criaturas que aparecem do nada, com ou sem explicações. Na tentativa de apresentar a originalidade do mundo, Bright exagera em querer apresentar tudo o que nele há.

O elenco não precisa de muito esforço para seguir o que a história quer nos apresentar.
Will Smith volta e meia emula seus antigos trabalhos, com trejeitos e estilo de falar já conhecido. Não tem como fazer comparações com o agente J. Já Joel Edgerton nos entrega bons momentos de seu Nick, por mais que tente transitar pelas camadas e personalidade da personagem, ele não é o protagonista, assim, acaba se perdendo no cartunesco parceiro mágico de histórias que já conhecemos.

Bright é uma história de ação, carregada de elementos fantasiosos, com um mundo que merece ser explorado. Mas tudo disso de maneira mais calma, contida e até mesmo lenta. Sem a necessidade de jogar tudo em cima do espectador, esperando que ele assimile tudo e desconsidere os erros de roteiro. A produção é a típica aventura despretensiosa para se assistir num sábado a tarde, comento pipoca, enquanto se mexe no celular. Tudo bem que o risco de perder alguns fatos pode acontecer, mas ao final você percebe que boa parte foi pura enrolação com muita informação excessiva. 
Entre tiroteios e rajadas de magia, faltou um artefato para apagar da mente ao menos 30 minutos do filme. O Will Smith sabe de qual dispositivo estou falando!

Nota: 3,5 (Muito bom)
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