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Liga da Justiça - CRÍTICA

Não é a Liga que merecemos, mas é a Liga que temos


Ah os heróis! A humanidade sempre almejou que seus problemas pudessem ser resolvidos por seres quase divinos que lhes trariam paz e harmonia. A DC Comics sempre retratou seus personagens como aqueles que poderiam ocupar um Olimpo em plena contemporaneidade. Entretanto, em uma aventura onde são gastos cerca de 15 minutos para resolver problemas conjugais, não é possível estabelecer tal divindade!

Estranhas criaturas começam a surgir ao redor do planeta, ao mesmo tempo, artefatos antigos, chamados de Caixas Maternas despertam e isso faz com que um inimigo surja em busca desses aparatos, o Lobo da Estepe. Cabe então a Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman e Ciborgue tentar deter os planos do tirano e isso sem a ajuda do Superman.

Zack Snyder por mais que tenha deixado o projeto antes da pós produção consegue marcar a película com sua identidade visual. Entretanto Liga da Justiça se baseia mais no filme solo da princesa amazona no quesito de tom e ritmo, do que no que seria seu antecessor direto, Batman V Superman. As cenas de ação, executadas de uma forma exímia e que em diversas vezes referenciam diretamente os quadrinhos, arrancam um sorriso e o apreço do público. Como a sequência inicial de Mulher-Maravilha, com movimentos de luta e efeitos visuais empregados de forma correta.
Em ritmo a isso, o design de produção faz um trabalho imersivo que vai dos ambientes, como em Atlântida,Themiscera e a BatCaverna, aos uniformes, funcionais e críveis! Além disso, a trilha sonora, exalta e incorpora o senso de heroísmo em momentos importantes, onde nitidamente é possível ouvir um tango se tornando uma marcha de batalha, ou a trilha de outros filmes dos heróis que marcaram determinada época.

Mas a produção apresenta erros que não podem passar despercebidos. Muitas vezes o CGI empregado é falho para alguns personagens. Ciborgue e Lobo da Estepe são os que mais sofrem com isso, ora convincentes, ora retirados de cutscene de vídeo-game! Outro ponto, o tal bigode de Henry Cavil que não foi removido totalmente, causando uma bizarra "desfiguração" no ator ou um milharal criado em computação gráfica que balança com o vento, e nada mais a sua volta se movimenta. E isso tudo contrasta na fotografia, que não sabe equilibrar cores, luminosidade e acaba por enaltecer tais erros.

Erros que acontecem também em uma narrativa que se preocupa em nos trazer diálogos entre personagens que não são relevantes para trama(Martha e Lois Lane), desconstruir uma personalidade citando constantemente um personagem secundário de seu filme solo(Mulher-Maravilha e Steve Trevor) ou passar a ocupar tempo tentando gerar um drama sobre retornar ao mundo em meio a discussão de relacionamento de um casal sem química em tela. Por mais que isso torne o filme leve, sem a obscuridade que havia sido estabelecida no universo DC, faz com que tudo se torne urgente, apressado, descartável, tal como o vilão que é unidimensional em sua motivação, e os resultados do embate entre Liga e a ameaça que não são sentidos, não há reflexo dos fatos.


O elenco pode não carregar atuações espetaculares, mas fazem um bom trabalho no quesito interação. É possível abraçar a união dos heróis e as diferenças sem problemas. Entretanto, é perceptível que Ben Affleck e Henry Cavil estavam trabalhando em modo automático, o primeiro tenta escapar por entre as piadas que seu personagem agora faz. E o segundos continua sendo o "Cigano Igor" da DC Comics no cinema, pois sorrir mais vezes e tentar fazer expressão malvada não são sinônimos de uma nova personalidade para um Superman! O destaque, novamente, fica com Gal Gadot, confortável, competente e assertiva em todos os seus momentos, literalmente, maravilhosos, assim como Jason Momoa, que interage diretamente com a princesa amazona, nos fazendo querer saber mais desse Aquaman. Já Ezra Miller entrega um Flash pressionado em ser um alívio cômico, acerta pouquíssimo nesse quesito, e o Ciborgue de Ray Fisher, até nos convence que há camadas em sua personalidade, mas se perdem por se tornar apenas um "super-computador solucionador" de crise global.

Liga da Justiça não é o filme que merecemos dos grandes Deuses heróis que acompanhamos, mas é o que recebemos em uma aventura apressada, preocupada, de forma incorreta várias vezes, com a diversão e longe das consequências dos atos realizados. Entretanto se há algo que ainda fica nessa produção é a esperança! Na figura do Superman? Não, esperança de que realmente é possível transpor em tela aqueles que iniciaram a vida no mundo nerd de muitas pessoas e que até hoje são um símbolo do que se realmente almeja para a humanidade, paz. Se ameaças maiores estão por vir, fica então nosso desejo de que a Liga se reúna novamente, e que da próxima vez nos cause o assombro e o impacto que nós precisamos, levando embora a indiferença gerada quando créditos sobem da produção que aqui foi criticada!

Nota: 3/5(Bom)
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