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ENTREVISTA - CAROLINA FORATTINI - WEBSÉRIE EIXOS

O mercado de produção audiovisual brasileiro tem revelado novos e criativos talentos. As plataformas digitais, redes sociais, estão gerando a oportunidade do desenvolvimento de conteúdos originais. Então, assistimos a websérie Eixos, uma distopia que se destaca pela produção, narrativa, personagens e ambientação!

Mas qual a história de Eixos?
Em 2060, o mundo se vê diante do colapso e do caos generalizado e, Brasília, que completa 100 anos, encontra-se praticamente abandonada. Seus belíssimos jardins secaram, suas superquadras estão despovoadas, toda a sua arquitetura, mundialmente conhecida como patrimônio cultural da humanidade, foi tomada pela mesma areia vermelha daquele deserto sobre o qual foi construída.
Aparentemente rejeitada pelo restante da população, a cidade torna-se palco de desaparecimentos misteriosos. Entretanto, inconformadas com o desaparecimento de Igor, Cássia junta-se à Inês e vão se aventurar em uma Brasília irreconhecível para encontrá-lo, mal sabendo elas do mistério secular do Plano Piloto...

Assim, o Geek Guia foi atrás de mais informações, e conversou com a diretora/roteirista da websérie, Carolina Forattini Igreja! 


Confira abaixo a nossa conversa:



Geek Guia: Como surgiu a ideia para a web série Eixos?

Carolina: A ideia para Eixos surgiu como uma história em quadrinhos. Sempre gostei e consumi muitas séries e livros desse gênero - ficção científica, universos pós-apocalípticos, fantasia, etc. E como sempre me interessei por desenho e HQ, foi nesses desenhos e rascunhos que começaram a surgir as personagens, o cenário, a trama… A partir daí, transformei essa ideia em um roteiro de websérie e já havia decidido que a minha próxima produção seria nesse formato, então tive a chance de poder reunir um grupo excelente para me apoiar e tornar essa estória realidade

Geek Guia: Qual a inspiração principal da série?

Carolina: Acredito que é importante destacar duas inspirações importantes para essa série: uma foi a própria cidade de Brasília. Para quem não conhece, Brasília tem uma arquitetura e urbanismo muito peculiar, e alguns de seus monumentos e edifícios podem chegar a causar uma impressão desconcertante. Desde sua construção a capital era parte de uma proposta utópica e futurista, juntando a seca do cerrado e a aparência árida e deserta que a cidade reveste durante metade do ano, a própria cidade já é um cenário de ficção científica.
A outra inspiração - não menos importante - foram as próprias séries que consumo. Afinal, enquanto mulher brasileira que curte esse tipo de conteúdo, sempre estive incomodada de ser pouco representada neste material, tanto por meu gênero como pela minha cultura. A partir do momento que ingressei no curso de Audiovisual na Universidade de Brasília, tinha por objetivo estudar as personagens femininas que eu gostava e os produtos que eu mais assistia (e os que menos curtia), para que ao realizar algo de minha autoria, eu pudesse ter a chance de fazer diferente. Daí surgiram as protagonistas Cássia e Inês e tive o grande prazer de trabalhar com uma equipe majoritariamente feminina, uma raridade na nossa área e uma experiência muito enriquecedora

Geek Guia: Por que uma distopia?

Carolina: Como eu disse previamente, para nós brasilienses, às vezes até parece que já vivemos em uma distopia. Para ser sincera, talvez isso pareça um pouco clichê, mas acredito que foi a mesma razão pela qual temos tantos filmes e romances para jovens que tratam sobre esse tema. Acredito que vivemos em um momento de muitas incertezas sobre o nosso futuro. Somos uma geração que não nos espelhamos mais nos nossos pais, mas vimos tantas mudanças acontecerem em tão pouco tempo que também temos dificuldade em prever o que vem pela frente. O que vemos nas notícias são desastres naturais, governos instáveis, conservadorismos preocupantes, terrorismos, violência, discriminação racial, machismo, homofobia… Acho que assim como outros criadores, trabalhar uma distopia é uma forma de processar todas essas informações e se transportar para outros mundos - por pior que eles possam ser, podem também ser formas de pensar a nossa realidade.

Geek Guia: A ambientação, os figurinos, maquiagem, chamam atenção, como foi o processo de criação?

Carolina: O processo de criação desses elementos foi, em grande parte, feito em longas conversas entre eu e a Diretora de Arte (Isabel Paganine). Nos desenhos da história em quadrinho eu esbocei o tipo de ambientação e figurino que tinha em mente, mas a gente foi também atrás de biólogos especialistas no cerrado brasiliense para pensar em como seriam os elementos do nosso universo de 2060 e fizemos pesquisas sobre as roupas que poderíamos utilizar nesse contexto (uma das inspirações foi, claro, Mad Max, mas também a forma como os habitantes do deserto do Sahara se vestem e a cultura afro-brasileira). Foi importante pensar como brasileiros se vestiriam em 2060. Para o cenário, fiz um trabalho de pesquisa de locação intenso com os Diretores de Fotografia (Cléo Lhéritier & Pedro Henrique Buson) para encontrar lugares reais dentro da cidade de Brasília que pudessem transmitir o abandono que a gente queria (isso envolveu inclusive dar muitas voltas de carro pela cidade e em estradas de terra). 

Geek Guia: Cássia como protagonista apresenta uma personalidade forte, decidida, aventureira, o que podemos esperar da personagem?

Carolina: Cássia ainda tem muito caminho para percorrer. Acho que a grande brincadeira da série é justamente desafiar essa personagem, colocar ela em situações fora da sua zona de conforto - a personagem da Inês é muito importante para fazer isso, ela realmente provoca. Como você disse, Cássia tem uma personalidade forte, decidida aventureira, mas ela é também uma pessoa muito introvertida e solitária. Ela fez a vidinha que ela queria, no seu espaço, com suas coisas e rotinas e construiu um muro à sua volta para se sentir segura. O desaparecimento de Igor é o primeiro desafio que ela enfrenta - isso desequilibra toda uma imagem que ela tinha dela mesma e acho que a única forma que ela achou de reagir a isso foi, por um lado, usando de sua teimosia para ir atrás dele e, por outro, de se fechar mais ainda para o resto do mundo. E o segundo desafio é que Cássia precisa de ajuda e ela precisa aceitar que não dá conta de fazer tudo sozinha, e Inês é a pessoa que vai tentar provocar isso nela. Inês também é todas essas coisas mas ela acredita nos outros e no poder que a companhia do outro pode ter, é um novo ponto de vista. Cássia ainda tem muitas coisas para descobrir sobre ela mesma, então aguardem que ainda temos mais história para contar.

Geek Guia:Personagens como Chico, Inês e Mãe Obá também vão ganhando destaque, como foi o processo de escolha do elenco?

Carolina: O processo de escolha do elenco foi diferente para cada um dos personagens. Juliana Tavares (Cássia) foi um encontro bem peculiar: ela foi indicada para o papel, porque muitos acharam que ela parecia com meus desenhos da Cássia e ela ainda por cima se revelou ser uma atriz maravilhosa - não haveria ninguém melhor! Já para a Inês fizemos um extenso processo de seleção de elenco em duas fases onde primeiro convidamos atrizes da cidade para testes e leituras de roteiro comigo e, em um segundo momento, com a Juliana. A Bárbara Gontijo (Inês) realmente se destacou desde seu primeiro teste conosco, ela pareceu entender rapidamente a essência da personagem e tinha uma ótima química com a Jú. Aconteceu algo parecido com o Jonathan Dutra (Chico), ele foi uma das primeiras pessoas com quem realizamos o casting para o papel e logo me conquistou, o deixei tomar conta do personagem. Bete Virgens (Mãe Obá) foi mais complicado pela dificuldade de encontrar atrizes mais maduras e que se adequassem à personagem - mas graças à equipe de produção e alguns telefonemas, encontramos várias mulheres interessadas no trabalho e Bete foi uma grande descoberta. Conhecemos muitas pessoas maravilhosas nesse processo, fico muito feliz com o elenco que conseguimos montar para essa websérie, todos eles são atores muito sérios, dedicados e que nos apoiaram muito.
Geek Guia: Há um discurso político presente em Eixos. Isso ganhará destaque com o decorrer da temporada?

Carolina: É difícil contar esse tipo de história, principalmente nos dias de hoje, sem um discurso político por trás. Na verdade, quando se trata de distopias - quando se trata de contar estórias, como não falar de política? Então eu diria que ele permeia sim os acontecimentos de toda a temporada. Dito isso, espere para ver! 

Geek Guia: Carolina, você é uma jovem diretora e roteirista, como percebe o mercado audiovisual no Brasil?

Carolina: Do meu ponto de vista eu acho que podem vir a surgir novas oportunidades. Por um lado, as atuais políticas culturais do governo (federais e estaduais) têm sido muito preocupantes para produções audiovisuais independentes, e inclusive vimos durante o nosso curso na UnB como as dificuldades para os profissionais de nossa área estavam aumentando e como isso poderia se tornar um grande impedimento para a gente. Por outro lado, acabo de voltar do Rio WebFest, onde encontrei dezenas de criadores brasileiros que estão produzindo seu material, distribuindo suas séries e, principalmente, correndo atrás de um novo mercado cheio de possibilidades - o Brasil ainda é muito novo no mercado de webséries e plataformas de streaming, mas esse é mais um espaço que podemos ocupar, um espaço ainda independente dos grandes monopólios de canais de televisão e que permite outras formas de criatividade. A websérie Septo, Rio Grande do Norte, foi selecionada para exibir seu trabalho em Los Angeles em 2018 e isso mostra como tem muita gente fazendo séries de qualidade e que ainda vamos crescer muito. Aguardem. 

Geek Guia: A Netflix tem feito de séries, como 3%, que começaram na internet, um sucesso no serviço de streaming. Você a produção de Eixos almejam algo semelhante?

Carolina: Estamos abertos a possíveis oportunidades. Eixos foi pensada desde o início para uma plataforma como o YouTube, por isso fizemos episódios curtos que atendam a essa linguagem e estamos muito felizes com o que realizamos! Dito isso, acho importante estar sempre a procura de novos desafios e seria muito interessante para a gente poder levar nossa história para outro tipo de plataforma. Quem sabe em uma segunda temporada… 

Geek Guia: Por fim, queremos parabenizar pela produção, que Eixos possa alcançar um público maior ainda e ficamos felizes em ver histórias como essa sendo contadas, acrescentando mais a cultura pop! Então, convide a galera pra assistir Eixos!

Carolina:Galera, para você que ainda não conhece e está sentado na frente do computador, terminou a temporada de Stranger Things e está procurando alguma novidade no Netflix - venha descobrir o mundo das webséries. Eixos é ficção científica, é distopia, é aventura, é uma produção nacional com personagens femininas fortes. Estamos aqui para trazer uma nova proposta para você! Nossos episódios estão no nosso canal de YouTube! Comentem, curtam, compartilhem e entrem nessa aventura conosco!

Confira os episódios da websérie Eixos emhttps://www.youtube.com/channel/UCEvseWvzSkWvVPQ4pk5Vz6w

Link da página do Facebookhttps://www.facebook.com/eixoswebseries/
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